Horta Osório diz que Carlos Costa “foi o único que teve coragem de enfrentar Ricardo Salgado”

"O principal problema do Banco Espírito Santo era de quem geria o Banco Espírito Santo", diz António Horta Osório em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo. Por outro lado elogia o Governo de António Costa mas diz que este está a capitalizar o trabalho feito pelo Governo de Pedro Passos Coelho.

Luke MacGregor/Bloomberg

Em entrevista à TSF e ao Dinheiro Vivo António Horta Osório disse que o Governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, foi o único a ter “a coragem de enfrentar Ricardo Salgado”.

O presidente do Lloyds Bank, questionado sobre “falhas” da supervisão, disse que “é fácil acertar no totobola à segunda-feira. Ninguém discute que a supervisão podia ter feito coisas melhores, nem o próprio Governador, mas eu gostava de destacar que o Senhor Governador teve um papel fundamental no que se passou em relação a prevenir problemas maiores no Grupo Espírito Santo. Os problemas foram muito significativos e o Senhor Governador teve a coragem, numa altura em que ninguém levantava a voz a Ricardo Salgado, apesar de alguns agora virem dizer que levantaram. Foi o Governador que tomou medidas frontais no sentido de tentar limitar ao máximo os problemas que estavam a acontecer. Não foi possível evitar a queda do banco, mas penso que o Senhor Governador teve um papel fundamental em efetuar as mudanças que foram efectuadas há três anos. O principal problema do Banco Espírito Santo é responsabilidade de quem geria o Banco Espírito Santo”, disse sem hesitar.

“Acho que o Governador teve um papel fundamental em tomar medidas duras, difíceis, que ninguém estava a preconizar. Nunca saberemos o que teria acontecido se ele não as tivesse tomado”, diz Horta Osório.

Na entrevista António Horta Osório disse ainda, sem hesitar, que o trabalho que o actual Governo de António Costa está a fazer é, em parte, graças “ao trabalho feito pelo governo anterior”.

“Gostava de destacar que o que o Governo tem vindo a desenvolver foi facilitado pelo bom trabalho que o Governo anterior desenvolveu. O Governo anterior teve de enfrentar uma situação muito difícil que tinha herdado do executivo anterior. Teve de tomar medidas muito impopulares e eu disse várias vezes que se podia discutir a intensidade dessas medidas mas não a direção, era imperativo que o país estava à beira da falência. Um trabalho que foi árduo, ingrato mas bem feito e que possibilitou, e bem, ao Governo atual capitalizar isso e continuar a ir na direção correta. O Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças têm vindo a levar o país na boa direção, mas, repito, como dizem os ingleses, são early days e não podemos ser complacentes; ainda há muito trabalho a fazer e não vale a pena embandeirar em arco” diz Horta Osório.

 

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