‘Headphones’ da Bose utilizados para espiar utilizadores

Kyle Zak adquiriu os auscultadores da Bose e aceitou a sugestão de descarregar a aplicação para o telemóvel, até que se apercebeu de que os seus dados pessoais tinham sido vendidos a terceiros, sem autorização. O processo está em tribunal.

REUTERS/Mike Blake

Os auscultadores da Bose ‘QuietComfort 35’ custam 350 dólares e são agora alvo de um processo judicial, depois de um utilizador ter descoberto que estava a ser espiado pela empresa, conta a Reuters.

O norte-americano Kyle Zak, adquiriu os ‘headphones’ da Bose, e aceitou a sugestão da marca em descarregar a aplicação gratuita, “para obter uma melhor experiência”. À primeira vista a app parece bastante inofensiva: conecta-se o telemóvel aos phones por bluetooth e é depois necessário fornecer o nome, email e número de série dos auscultadores para que a conexão fique ativa.

Parece um procedimento bastante normal, até que Zak ficou surpeendido ao perceber que “toda a informação do seu smarthphone” tinha sido “vendida” a terceiros, sem a sua autorização. Os dados dos utilizadores do aparelho são transferidos para empresas como a Segment.io, que “coleciona” informação pessoal e a revende para qualquer outra empresa.

A ‘Bose Corp’ foi então acusada de espionar os seus clientes através dos headphones sem fios, que depois de serem conectados ao telemóvel apropria-se das informações pessoais do consumidor, vendo-as sem autorização, violando os direitos de privacidade.

“As pessoas devem sentir-se bastante desconfortáveis com esta situação”, disse Christopher Dore, advogado que representa Zak, citado pela agência de notícias. “As pessoas põem os auscultadores nos ouvidos porque acham que é privado, mas afinal podem estar a dar informações que não querem partilhar”.

As escolhas de áudio oferecem “uma quantidade incrível de informação” sobre as personalidades dos clientes, comportamentos, opinião política e religião. O advogado explica que, por exemplo, uma pessoa que ouve orações muçulmanas pode “muito provavelmente” ser muçulmana”.

Com a ação jurídica, Zack quer milhões de dólares pelos danos causados aos compradores dos phones, assim como também quer parar a venda de informações pessoais sem o consentimento das pessoas, uma ação que é considerada crime.

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