“Há uma desconformidade entre a nossa ciência e a nossa economia”

O alerta foi lançado pelo economista Daniel Bessa, na sessão de abertura do IV Encontro Internacional da Casa das Ciências, que até esta quarta-feira decorre na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa com a participação de cerca de 900 professores.

Daniel Bessa é perentório: “Temos que levar a nossa economia a tirar maior partido desta ciência que temos”. País moderadamente inovador, situando-se na vizinhança da Espanha e da Itália, Portugal pontua acima da média no número de doutorados abaixo dos 35 anos, mas figura muito abaixo da média no financiamento. “Há gente a mais a trabalhar com meios a menos”, vinca, explicando que neste “clima de ternura”, contratam-se as pessoas, mas sem meios para lhes dar.

O resultado é uma valente desconformidade. “Um doutorado que vai ganhar 700 euros parece um esforço excessivo para tão pouco resultado…”, salienta o antigo ministro da Economia, acrescentando: “Se não estamos mal em condições e recursos, mas estamos nos resultados, que raio, afinal, se passa pelo caminho?!”, questionou-se, para de seguida apontar o caminho: “Eu virar-me-ia para os processos. O campo de ação está nos processos; a nível macro nas políticas públicas, a nível micro nas práticas empresariais de cada um individualmente.”

O antigo presidente da Cotec Portugal proferiu a conferência de abertura do IV Encontro Internacional da Casa das Ciências. O evento tem lugar na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e reúne cerca de 900 professores num espaço de debate e partilha de experiências, sob o tema “Educação Científica e Desenvolvimento Económico”.

Na sessão de abertura pontificaram Isabel Alçada, ex-ministra da Educação, José Martinho Simões, diretor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e José Ferreira Gomes, coordenador da Casa das Ciências, que destacou a componente de partilha do encontro, cujo objetivo “é enriquecer e melhorar o ensino das ciências nas nossas escolas e, neste sentido, melhor preparar os jovens para as necessidades do futuro”.

Isabel Alçada, membro do Conselho Consultivo do EDULOG, o think tank da Educação da Fundação Belmiro de Azevedo, que a Casa das Ciências recentemente integrou, destacou o papel da investigação e do conhecimento e a importância do EDULOG, que trabalha no sentido de ir buscar à ciência os dados que apoiem a decisão em matérias de educação.

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