Guerra de aço e alumínio põe o mundo contra Trump

Medida do presidente norte-americano visa proteger a indústria norte-americana, mas num primeiro momento parece indiciar o início de uma “guerra comercial”.

Um pouco por todo o mundo, líderes políticos levantaram a voz esta sexta-feira contra Donald Trump, após o anúncio de novas taxas alfandegárias sobre o aço e o alumínio. A medida do presidente norte-americano visa proteger a indústria norte-americana, mas num primeiro momento parece indiciar o início de uma “guerra comercial”.

A resposta internacional foi imediata, com o tradicional aliado Japão a protestar. A União Europeia já anunciou que tomará medidas.

O ministro do Comércio do Japão, Hiroshige Seko defendeu os interesses nipónicos, ao afirmar que “as importações de aço e de alumínio do Japão não afetam a segurança nacional dos EUA”.

A aplicação de novas tarifas sobre o aço e o alumínio foram anunciadas na conta Twitter de Donald Trump e têm o objectivo de prejudicar a China. O departamento comercial dos EUA já tinha acusado o estado chinês de estar prejudicar o mercado internacional com os preços de aço e do metal.

Trump afirmou não querer que os EUA continuem em “desvantagem” com um comércio “injusto” e por “más políticas”.

A resposta oficial da China veio através do ministério dos Negócios Estrangeiros, ao dizer que Pequim vai tentar incentivar os EUA a cumprir as regras de comércio internacional. Sem querer provocar, a China acusou os EUA de procurar “anular o acordado a nível internacional”, segundo a Bloomberg.

O ministro australiano do Comércio, Steve Ciob, também reagiu argumentando que as medidas são inaceitáveis.

“A imposição de tarifas vai desrugular o comércio e, em última análise, acreditamos que isso levará a uma perda de empregos”, disse Ciob. “Estou preocupado que, como resultado de ações como esta, possamos ver medidas de retaliação implementadas por outras economias importantes, o que não ninguém quer”, acrescentou.

A União Europeia já prometeu “reagir firmemente” com medidas que cumpram as directrizes da Organização Mundial de Comércio. Em comunicado, Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, afirmou ainda a UE “lamenta com veemência” a decisão dos EUA.

Cecilia Malmström, comissária para o Comércio, acrescentou que a medida de Trump “terão um impacto negativo nas relações comerciais transatlânticas e nos mercados globais”.

Mercados bastante receosos com administração Trump

Os principais índices bolsistas norte-americanos reagiram mal à medida de Trump, ao abrirem esta sexta-feira em queda. O Dow Jones abriu a perder 1,68% para 24.608,98 pontos enquanto o S&P também abriu no vermelho: 1,33% para 2.677,67 pontos. Só o Nasdaq pareceu livrar-se do pessimismo dos investidores, mas mesmo assim, este índice abriu inalterado nos 6.750,54 pontos.

O anúncio de Trump sobre a imposição de tarifas alfandegárias às importações de aço e alumínio pôs Wall Street em terreno negativo.

E Portugal?

As exportações metalúrgicas e metalomecânicas portuguesas para os EUA cresceram 37% para 534 milhões de euros em 2017, admitindo o setor que seria “dececionante” se este “grande potencial” fosse afetado pelas taxas sobre importações norte-americanas de aço e alumínio.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP) afirmou acreditar, contudo, que a ameaça feita pelo Presidente dos EUA de impor a partir da próxima semana fortes taxas alfandegárias sobre as importações de aço e alumínio pelos EUA apenas se refere a matérias-primas e não aos produtos manufaturados que as empresas portuguesas exportam para aquele país.

“Se for matéria-prima, não nos afetará minimamente porque não exportamos matéria-prima. O que exportamos são produtos já transformados e equipamentos e, de facto, os EUA são para nós um mercado que está a crescer em importância, pelo que seria dececionante se houvesse agora uma interrupção deste processo de ascensão”, sustentou Rafael Campos Pereira.

De acordo com a AIMMAP, o setor metalúrgico e metalomecânico português bateu em 2017 “o recorde do melhor ano de sempre de exportações”, com 16,5 mil milhões de euros vendidos para todo o mundo, mais 13% do que em 2016.

 






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