Grupos espanhóis lideram compras em Portugal

Investidores espanhóis protagonizaram 23 operações de aquisição de ativos portugueses, num total de 1,1 mil milhões de euros. Imobiliário, transportes e aviação, financeiro e tecnologia são alguns dos setores onde os espanhóis e outros estrangeiros apostam.

Stefan Wermuth/Reuters

O mercado português está a assistir a um aumento da atividade de fusões e aquisições (M&A) em 2017, com os escritórios de advogados e os bancos de investimento a tirarem proveito desta tendência favorável. Os investidores espanhóis, britânicos e americanos foram os mais ativos na compra de empresas portuguesas, desde o início do ano, segundo o Transactional Track Record (TTR).

No total, entre janeiro e julho de 2017 tiveram lugar 214 operações de M&A em Portugal, num total de 12 mil milhões de euros. A compra de ativos nacionais por grupos estrangeiros representou uma fatia significativa deste bolo, verificando-se uma crescente diversificação da origem geográfica dos investidores. Entre as principais operações envolvendo ativos portugueses destacam-se a compra da Media Capital pela Altice e a aquisição de 51% da LFP – Lojas Francas de Portugal, pela Vinci.

“Os últimos anos permitiram verificar uma forte diversificação do tipo de investidor que actua em Portugal, sendo que são precisamente os grandes fundos europeus e norte americanos aqueles que, por razões geográficas, mais têm podido aproveitar o favorável ambiente macroeconómico que vivemos”, disse ao Jornal Económico o advogado Jorge Brito Pereira, sócio de M&A da firma ibérica Uría Menéndez-Proença de Carvalho (UM-PC).

Depois de vários anos em que os investidores chineses e angolanos se destacaram no mercado português, a recuperação da economia verificada a partir de 2014 foi acompanhada de uma mudança no perfil dos grupos que compram empresas nacionais, com os espanhóis a destacarem-se como os mais ativos. Desde o início de 2017, este diretório internacional regista 23 operações de M&A protagonizadas por grupos espanhóis que compraram ativos de empresas portuguesas, num valor global de 1,143 mil milhões de euros.

Seguem-se os investidores americanos, com 10 operações no valor de 1,106 mil milhões de euros, seguidos dos britânicos, com 11 aquisições no valor de 557 milhões de euros. De referir ainda os investidores institucionais do Luxemburgo – grão-ducado onde estão sediados numerosos investidores internacionais – que aplicaram 1,120 mil milhões de euros em três operações de M&A em Portugal, desde o início do ano.

O top 10 do investimento em M&A em Portugal elaborado pelo TTR inclui ainda empresas sediadas na China (242 milhões de euros), Alemanha (99 milhões), Suíça (20 milhões), França (15,6 milhões), Arábia Saudita e Suécia.

Espanhóis investem em quase todos os setores

Os investidores do país vizinho demonstram interesse pela maioria dos setores de atividade analisados pelo TTR. Desde o início do ano, os grupos espanhóis realizaram aquisições de ativos portugueses nos setores do Imobiliário, Transportes, Aviação e Logística, Financeiro e Seguros, Saúde Higiene e Estética, Vidro, Cerâmica, Papel, Plásticos e Madeiras, Consultoria, Auditoria e Engenharia , Distribuição e Retalho e, por fim, Construção, Materiais e Máquinas.
Por sua vez, os investidores britânicos e americanos apostaram sobretudo nos setores do imobiliário, tecnologia e bancário e financeiro, enquanto os chineses realizaram apenas uma grande operação na área dos transportes, aviação e lógistica.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.



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