Grupo Pestana cresce 15%, apesar do Brexit

José Theotónio, CEO do Pestana Hotel Group, revela que a subida de atividade se verifica quer nas dormidas quer nas receitas. Na vertente internacional, a grande estrela de 2017 é São Tomé.

Foto cedida

A atividade do Grupo Pestana em Portugal está a subir acima da generalidade do mercado turístico nacional, que já por sua vez se mantém numa rota ascendente continuada. Em declarações ao Jornal Económico, José Theotónio, CEO do Pestana Hotel Group, revelou que “a atividade do Grupo Pestana este ano tem estado a correr muito bem, acima do mercado, mas o ponto crucial desta área de negócio é agora, durante o terceiro trimestre”. O crescimento da generalidade dos mercados emissores tem compensado a retração provocada pelo Brexit no mercado britânico.

“O mercado turístico nacional no primeiro semestre deste ano esteve num patamar de 10% acima do período homólogo do ano passado, mais precisamente 12% acima, quer em dormidas, quer em vendas. O Grupo Pestana conseguiu um crescimento de 15%, quer em dormidas, quer em vendas, face ao primeiro semestre do ano passado”, assegurou José Theotónio, sem avançar números absolutos da atividade do Grupo Pestana.

O CEO do Pestana Hotel Group sublinha que os resultados da atividade durante o terceiro trimestre deste ano serão fundamentais para o retrato final do exercício de 2017 para o grupo de origens madeirenses. “Se neste terceiro trimestre conseguirmos manter os níveis de dormidas e de ocupação atingidos no período homólogo do ano passado, já é bom. Claro que houve uma subida de preços, que pode vir a compensar alguma quebra de ocupação que se venha a verificar, pelo que esperamos que no final do terceiro trimestre deste ano possamos registar um crescimento de vendas entre os 3% e os 4%”, previu José Theotónio.

O CEO do Pestana Hotel Group está um pouco apreensivo face às últimas tendências de comportamento de dois mercados emissores de turistas: o mercado nacional e o mercado inglês. Em relação aos turistas nacionais, parece que as últimas semanas demonstram que existe uma certa prudência na marcação de dormidas, que até está a originar o lançamento de promoções de última hora por parte de diversas unidades hoteleiras, em particular na região do Algarve. Quanto ao mercado anglófono, esses turistas estão a ser duplamente penalizados: não só pela subida de preços das dormidas, na ordem dos 10% face ao ano passado, mas também pela desvalorização da libra (um dos efeitos do Brexit), também de cerca de 10%. Uma sobrecarga de custos de cerca de 20% que no final do dia pesa nas contas e tem efeitos na retração das encomendas dos turistas ingleses na atual conjuntura.

Quanto aos mercados externos em que o Grupo Pestana está presente, José Theotónio destaca que, “na Europa, estamos em linha com o mercado”.

“Em São Tomé e Príncipe é que estamos a ter uma boa performance, com um crescimento de mais de 20% face a 2016”, revelou o CEO do Pestana Hotel Group.

José Theotónio avançou ainda que a operação do Grupo Pestana nos mercados de Moçambique e no Brasil, nesta altura do ano “estão a correr menos bem” face ao período homólogo do ano passado.

No caso de Moçambique, o momento menos bom da economia local é um dos fatores explicativos para o desempenho menos positivos das unidades hoteleiras do Grupo Pestana. “Também é preciso notar que parte da nossa oferta em Moçambique é de hotéis business, que dependem muito dos ciclos económicos”, explica José Theotónio.

Outro mercado internacional em que a atividade do Grupo Pestana está com uma menor velocidade é o Brasil, em particular em algumas cidades, como Curitiba ou o Rio de Janeiro. No caso do Rio de Janeiro, o CEO do Pestana Hotel Group explica que a cidade duplicou no ano passado a sua capacidade hoteleira devido à realização dos Jogos Olímpicos. “Agora, é preciso que o mercado ‘enxugue’”, defende José Theotónio, prevendo-se que ainda deverá demorar alguns meses até que este segmento de mercado estabilize, uma vez que ao excesso de oferta, junta-se uma menor procura devido à crise económica, política e social que o país está a enfrentar desde há diversos meses.

Artigo publicado na edição digital do Jornal Económico. Assine aqui para ter acesso aos nossos conteúdos em primeira mão.





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