Grupo Bial vai duplicar capacidade industrial

O grupo farmacêutico acaba de inaugurar novas instalações, duplicadas, para a investigação e desenvolvimento, que todos os anos consome cerca de 20% do volume de negócios. O novo investimento vai implicar 12 milhões de euros

Chip East / Reuters

A farmacêutica Bial vai investir cerca de 12 milhões de euros na duplicação da capacidade industrial instalada, o que permitirá fazer face aos próximos 10 a 15 anos, disse esta terça-feira António Portela, CEO do grupo, a quando da inauguração do novo espaço de investigação – que foi orçado em cinco milhões de euros. Este novo espaço vai permitir ao grupo aumentar a área de investigação dos anteriores 1.500 metros quadrados para 3.700.

Esta dupla duplicação vai ter efeitos noutras áreas. Desde logo na capacidade de investigação e desenvolvimento (I&D), que consome todos os anos cerca de 50 milhões de euros; e na captação de recursos humanos ao nível de investigadores. Neste momento, o grupo tem 104 investigadores – na maioria portugueses, alguns deles vindos do estrangeiro, número que crescerá para os 129 ao longo dos próximos exercícios.

Segundo António Portela, o grupo quer continuar o rácio de investimento em I&D que conhece nesta altura: cerca de 20% do volume de negócios. Em 2017, o grupo atingiu uma faturação de 270 milhões de euros, mais 17% que no exercício anterior. Desde 2010 que a divisão de mercados alterou profundamente: na altura, 70% da faturação era assegurada pelo mercado interno; em 2017 é precisamente o contrário.

Segundo avançou António Portela, o fosso entre mercados interno e externo vai aumentar, dado que “o mercado português encolheu cerca de 30% na altura da ‘troika’ e tem vindo a recuperar” de forma muito lenta. Na frente externa, os mercados de Espanha, Estados Unidos e Alemanha são os mais importantes – com o esforço de diversificação a ser dirigido para o Oriente (China e Japão, nomeadamente).

Estas frentes são ‘alimentadas’ em grande escala pelos medicamentos Zebiniz (que vale um terço da faturação do grupo e foi o primeiro medicamento com patente portuguesa), Aption e ONgentys.

No mercado norte-americano, o grupo teve uma boa notícia: a administração local (FED) aceitou para a introdução do novo medicamento no seu mercado o pacote clínico que já havia servido para a venda naquele país do Zebinix (que ali fatura 200 milhões de euros através dos vários representantes).

As áreas das neurociências e cardiovasculares vão continuara ser aquelas que importam para o grupo Bial: “não vamos abrir novas áreas de investigação”, adiantou António Portela, afirmou, para adiantar que continua a faltar em Portugal algum entrosamento entre a academia, a investigação particular e a indústria.

 




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