Greve de professores e educadores ameaça fechar hoje escolas portuguesas

Os sindicatos acusam o governo de pretender, sem negociação, descongelar a carreira docente, apagando mais de nove dos últimos 12 anos de serviço dos docentes. Esta indignação está na origem da grande mobilização que hoje ameaça paralisar grande parte das escolas.

A indignação dos professores está em níveis muito elevados e a greve de hoje dar-lhe-á a devida expressão, diz a FENPROF, que aponta para níveis elevados de adesão.

Os professores acusam o governo de pretender, sem negociação, descongelar a carreira docente, apagando mais de nove dos últimos 12 anos de serviço dos docentes. Este é um tema de que os sindicatos não abrem mão. Querem ver recuperado todo o tempo de serviço e a contagem integral para efeitos de progressão. Querem igualmente o reposicionamento dos docentes retidos no 1.º escalão por terem ingressado nos quadros após 2013, o reposicionamento dos docentes retidos nos 4.º e 6.º escalões e o reposicionamento dos docentes que não usufruíram da medida aplicável após a aquisição de formação acrescida.

Os sindicatos lutam igualmente por “um compromisso de desenvolvimento de processos negociais relativos a aposentação, horários de trabalho e concursos”.

Os sindicatos acusam o governo de nadra a brincar ao “empurra”. No site da FENPROF pode ler-se uma cronologia dos acontecimentos: Em 12 de outubro, o Ministério das Finanças remeteu o  processo para o Ministério da Educação, que quatro dias depois fez saber que o dossiê não era da sua competência. Contactado em 2 de novembro pela FENPROF, o gabinete do Primeiro-Ministro, remeteu para o Gabinete do Ministro da Educação que, no dia 10 em Coimbra, “se limitou a fazer saber que “atempadamente” seria marcada uma reunião”.

Segundo a maior estrutura sindical do setor, esta “falta de diálogo” e “este jogo-de-empurra” entre membros do Governo “são indignos de uma democracia em que os governantes se dizem defensores do diálogo social”.

O Ministério da Educação promoveu ontem reuniões de última hora com os sindicatos, mas sem êxito.

Na última sexta-feira, a FNE, filiada na UGT, outra importante estrutura sindical alertou para a perigosidade do conflito.



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