Grávidas sem acompanhamento: MAC com falta de enfermeiros obstetras

O Centro Materno Infantil do Norte, no Porto, também está na mesma situação. Em causa está um protesto dos ‘enfermeiros obstetras’ , que não são pagos como especialistas.

A partir desta quinta-feira, a Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, e o Centro Materno Infantil do Norte, no Porto, têm poucos enfermeiros disponíveis devido a um protesto que pretende alertar para os vencimentos destes técnicos de saúde, avança o jornal Expresso.

“O ministro da Saúde diz que não há constrangimentos, mas a verdade é que a situação não vai manter-se sustentável. São os médicos que estão a garantir toda a assistência e é um caos também para eles porque trabalhamos em equipa”, avisa o líder do movimento EESMO (Enfermeiro Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia), Bruno Reis.

Na próxima segunda-feira o protesto vai chegar ao hospital de Santa Maria da Feira, e na semana seguinte às unidades hospitalares de Cascais, Garcia de Orta, em Almada, e da Madeira, assim como ao Centro Hospitalar da Cova da Beira

Na MAC há 73 ‘enfermeiros obstetras’ e 41 não são remunerados como especialistas. “Este é um protesto que não tem efeitos imediatos mas que vai causando desgaste”, explica Bruno Reis ao Expresso, dando um exemplo concreto: “Quando numa sala de partos existem cinco enfermeiros e três médicos e agora são só os médicos, existe risco. As grávidas não estão a ter o acompanhamento que deviam ter”.

Este protesto vai manter-se por tempo indeterminado, mas está para durar, segundo os “não avanços” da última reunião entre o Ministério da Saúde e os representantes do movimento EESMO. “A objetividade das negociações não está a ser tratada. Estive na reunião na passada terça-feira e não foi dada resposta às perguntas Como e Quanto, apenas foi dito quando, em 2018”, revela o enfermeiro líder do EESMO ao jornal.