Governo vai à China procurar investimento para portos

Ministra do Mar vai liderar missão empresarial à China, no final deste mês. Teixeira Duarte, Mota-Engil e turcos da Yildirim vão estar na comitiva.

Rafael Marchante / Reuters

O Governo português vai lançar mais uma iniciativa de diplomacia económica para captar investimento chinês para os principais terminais portuários em Portugal Continental, com destaque para os existentes e previstos para Sines, Leixões e Lisboa.

O Jornal Económico sabe que, após vários meses de preparação e de adiamentos por questões inconciliáveis de agenda, no próximo dia 28 de outubro, Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, irá liderar uma missão empresarial de vários dias a Pequim, Xangai e Hong Kong.

Para a comitiva, foram convidados o grupo turco Yildirim, que hoje em dia tem uma larga quota de mercado na gestão de terminais portuários no Continente português, assim como a Mota-Engil e a Teixeira Duarte, construtoras com larga experiência na construção e/ou gestão de terminais portuários em vários pontos do Globo.

O objetivo desta missão de Ana Paula Vitorino é captar investimento chinês para os projetos de expansão, remodelação, beneficiação e construção de raiz de novos terminais portuários em Portugal Continental, em particular nos portos de Sines, Leixões e Lisboa.

A China está a implementar uma nova versão da famosa ‘Rota da Seda’, para acelerar as trocas comerciais entre o Extremo Oriente, a Europa e as Américas do Norte e do Sul, sendo que Portugal beneficia da sua localização geoestratégica de charneira entre estes últimos continentes e também na ligação a África, com quem a China tem desenvolvido relações económicas mais aprofundadas nas últimas décadas.

Um dos ‘trunfos’ da missão empresarial liderada por Ana Paula Vitorino será o pólo de investimento potencial para o porto de Sines. Ainda na quarta-feira, o presidente da APS – Administração dos Portos de Sines e do Algarve, José Luís Cacho, revelou numa conferência, na cidade alentejana, que o porto que dirige tem neste momento o objetivo de captar de mais de 670 milhões de euros de investimento, de preferência privado e, presume-se, maioritariamente estrangeiro.

Todos os cinco terminais do porto de Sines (GNL – Gás Natural Liquefeito, Granéis Líquidos, Petroquímico, Multiusos e Contentores [XXI]) têm projetos de expansão, prevendo mais postos de acostagem de navios, mais profundidade dos canais de navegação e até um novo terminal dedicado, além da concessão e construção de um novo terminal de contentores, o Vasco da Gama, cujo concurso público deverá ser lançado pela APS entre o final deste ano e o início de 2018, conforme garantiu José Luís Cacho na ocasião.

Neste momento, o Terminal XXI, tem uma capacidade instalada para 2,1 milhões de TEU, aproximando-se do seu esgotamento físico, uma vez que no ano passado já movimentou 1,5 milhões de TEU.

José Luís Cacho garantiu nesta intervenção que as negociações entre a concessionária PSA e o Estado português, representado pela APS, continuam a decorrer, para precisar os pormenores deste investimento.

Mas, ainda no segmento dos contentores, também em Sines, está previsto avançar com um novo terminal de contentores, o referido Vasco da Gama, que, na sua primeira fase de construção, deverá ter uma capacidade para cerca de três milhões de TEU por ano. E é aqui que o capital chinês pode ter uma palavra decisiva.

Com estes dois projetos, José Luís Cacho espera que dentro de poucos anos, o porto de Sines tenha uma capacidade instalada para a movimentação anual de 6,1 milhões de TEU, independentemente das novas fases de expansão que forem equacionadas para o futuro terminal Vasco da Gama.

O presidente da APS revelou ainda nesta sua intervenção que, desde o início deste ano até ao final de setembro, o porto alentejano está a registar um crescimento de 2% no total de carga movimentada e de 23% na movimentação de contentores face ao período homólogo de 2016.

Na bagagem de Ana Paula Vitorino para esta viagem à China também estará a possibilidade de atrair investimento do Império do Meio para a plataforma logística e industrial do porto de Sines, gerida pela empresa pública aicep Global Parques.

 

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