Governo testa blockchain em concurso público com prémio de 90.000 euros

Abriram esta quarta-feira as inscrições para o GovTech. Em entrevista ao Jornal Económico, a secretária de Estado Graça Fonseca explica que o Governo emitiu um 'token' para democratizar a escolha dos três projetos vencedores.

Cristina Bernardo

O Governo começou esta quarta-feira a testar a tecnologia blockchain, num concurso que vai premiar produtos e serviços inovadores criados por startups para responder a desafios globais de desenvolvimento sustentável. A secretária de Estado da Modernização Administrativa, Graça Fonseca, explicou que foi criado um utility token através da tecnologia inovadora como forma de democratizar a escolha dos vencedores e atrair os mais jovens.

“O blockchain entrou na categoria das tecnologias sexy. Quisemos fazer o GovTech em blockchain por ser uma tecnologia que, apesar de existir há muitos anos, neste momento está em alta”, explicou a secretária de Estado, em entrevista ao Jornal Económico.

O GovTech é um concurso público em que startups podem, a partir desta quarta-feira, concorrer com projetos que alinhem com um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável aprovados pela Organização das Nações Unidas que formam a agenda global para o desenvolvimento sustentável, conhecida como Agenda 2030.

As inscrições estão abertas até dia 8 de junho e os três vencedores irão receber prémios de 30 mil euros cada, um protocolo de colaboração com o Estado para desenvolver e testar o produto ou
serviço, um espaço em incubadora nacional, apoio à internacionalização e acesso à Websummit.

“É uma iniciativa que envolve investimento, recursos e infra-estruturas públicas e, portanto, é preciso ter algum nível de segurança e transparência. O blockchain tem essa vantagem e não tínhamos muitas outras oportunidades”, explica Graça Fonseca sobre a escolha da tecnologia que não é consensual e está também na base de criptomoedas como a bitcoin.

‘Token’ GovTech vai ser usado para escolher os vencedores

A secretária de Estado clarifica que o Governo criou um utility token, ou seja, uma espécie de moeda digital sem valor financeiro e que é usada somente dentro da plataforma do concurso como unidade para votar nos projetos. A ideia é que, enquanto investimento público, qualquer contribuinte possa escolher o projeto que considera ter maior potencial e seguir o uso do financiamento.

“Precisávamos de algo que nos permitisse envolver qualquer pessoa – de norte a sul do país – que quisessem participar como votantes ou como uma espécie de júri nacional, mas ao mesmo tempo que nos permitisse estimular as pessoas a serem mini-investidores em ideias”, explicou Graça Fonseca.

Para participar é necessário ter uma chave-móvel digital (que é usada como garantia de segurança), criar uma conta no GovTech e recebe um conjunto de GovTechs, as tais unidades virtuais. Depois, pode-se ganhar ou acumular moedas GovTechs através de várias iniciativas que vão desde trazer mais um amigo ou fazer uma partilha. “Criámos um conjunto de incentivos para estimular a interação dentro da comunidade para a agenda”, afirma.

“Nessa perspetiva, o blockchain é ultra-adequado para os objetivos: chegar ao maior número possível de pessoas, entrar nas comunidades mais jovens e empreendedoras, e deixar que sejam eles próprios embaixadores e comunicadores das iniciativas. Tudo isto com a transparência que a plataforma de blockchain nos dá que é ir acompanhando a evolução do investimento em cada um dos projetos que estão a concurso”, diz, acrescentando que este é um teste e, caso corra bem, o uso de blockchain poderá ser alargado.

Governo quer apoiar exportação de projetos portugueses

Além do teste à tecnologia blockchain, o Governo vê ainda outro grande potencial no GovTech: a exportação de projetos portugueses. No âmbito do concurso, as startups são desafiadas a responder a um dos desafios de desenvolvimento sustentável, que são globais.

Até 2030, os desafios dos são:

  • erradicar a pobreza;
  • erradicar a fome;
  • saúde de qualidade;
  • educação de qualidade
  • igualdade de género;
  • água potável e saneamento;
  • energias renováveis e acessíveis;
  • trabalho digno e crescimento económico;
  • indústria, inovação e infraestruturas;
  • reduzir as desigualdades; e
  • cidades e comunidades sustentáveis.

“Estes desafios da Agenda 2030 têm uma dupla dimensão: por um lado, são importantes para o nosso futuro coletivo e, por outro, abrem áreas interessantes de negócio inovadores com um potencial de exportação brutal porque todos os Estados andam à procura neste momento de boas soluções”, defendeu Graça Fonseca. “Já recebemos muito interesse em participar. É uma boa oportunidade de exportar de Portugal para o resto do mundo produtos e serviços que respondem um desafio da humanidade 2030”.

“São problemas que queremos que sejam partilhados pelos mais novos que têm talentos e criatividade que podem colocar ao serviço para resolver estes problemas. É esse o objetivo: no fundo, envolver a comunidade empreendedora para esta agenda”, acrescentou.






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