Governo britânico alerta para escassez de alimentos, depois do ‘Brexit’

Um relatório elaborado por especialistas em políticas alimentares advertiu que o "divórcio" com a Europa pode provocar o "caos", a menos que os ministros estabeleçam um plano claro sobre como um novo sistema alimentar vai funcionar.

O ‘Brexit’ pode ter impactos “dramáticos” no Reino Unido, defendem os especialistas, mas não só. Mais recentemente o governo britânico alertou para um “risco real” da ilha poder sofrer de escassez de alimentos, de uma elevada inflação e ainda da diminuição na qualidade dos mesmos, escreve o The Independent.

Um relatório elaborado por especialistas em políticas alimentares advertiu que o “divórcio” com a Europa pode provocar o “caos”, a menos que os ministros estabeleçam um plano claro sobre como um novo sistema alimentar vai funcionar.

Atualmente, a União Europeia (UE) fornece uma grande fatia (31%) de alimentos para a Grã-Bretanha, o que os autores sugerem que não pode ser afastado sem provisões no local.

Investigadores de três universidades do Reino Unido publicaram um relatório de 86 páginas sobre como o ‘Brexit’ pode afetar a alimentação e a agricultura do país, à medida que o governo se prepara para a próxima ronda de negociações com Bruxelas. Este documento adianta que a ausência de um acordo comercial pode causar o aumento no preço dos alimentos importados, até 22%.

A estabilidade e a segurança são dois aspetos que, em parte, são produto dos padrões de segurança da UE, alertam os autores. E, mesmo um ‘soft Brexit’ – uma saída da UE em que o Reino Unido permanece no mercado único –  pode afetar gravemente as indústrias alimentares e agrícolas.

“Com o prazo das negociações do ‘Brexit’ a acabar nos próximos 20 meses, trata-se de uma série de políticas falhadas, numa escala sem precedentes”, disse um dos autores do estudo, Tim Lang.

As conclusões do estudo foram publicadas no Science Policy Research Unit da Universidade de Sussexd, e foram identficadas 16 questões chave que a primeira-ministra, Theresa May, tem de considerar. Como por exemplo a existência de um “plano integrado claro para fornecimento de alimentos do Reino Unido”, uma nova legislação para “substituir 4 mil leis da UE em matéria de alimentos” e subsídios para cobrir a Política Agrícola Comum da UE”.

 





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