Gas Natural de olhos postos na EDP para criar um gigante ibérico

O fato de o mandato de António Mexia à frente da EDP estar a chegar ao fim e de não haver garantias de que será reconduzido pelos chineses, ajuda ao entusiasmo do presidente da EDP por esta potencial fusão da Gas Natural Fenosa com a EDP. Está a chegar a época de fusões no setor?

EDP-Energias de Portugal

O jornal Expansión avançou na sua edição de hoje que o presidente da empresa espanhola de gás, Isidro Fainé (presidente da Gas Natural fenosa e da Critéria Caixa), entrou em contato com o primeiro acionista do grupo energético português, a China Three Gorges, numa viagem à China, porque vê a EDP como uma das opções para criar um gigante ibérico do setor.

Em julho, já tinham surgido vários rumores de que haveria negociações em curso entre a Gas Natural e a EDP para uma possível fusão, mas ambas as empresas desmentiram a existência de qualquer contacto formal.

Fainé está a analisar várias possibilidades para reforçar a posição da Gas Natural Fenosa a nível europeu dentro da dança de fusões, aquisições e alianças que poderão desenrolar-se nos próximos meses na União Europeia. Todos os especialistas prevêem que um novo processo de consolidação, como o que foi vivido há uma década atrás diz o jornal espanhol. A entrada do fundo americano GIP na capital da Gas Natural há um ano, com 20%, acelerou a busca de oportunidades de valorização dos ativos da Gas Natural, onde o grupo La Caixa continua a ser o maior acionista, com mais de 24%.

Em julho passado, no mercado, soube-se que Fainé, pessoalmente, mantinha contato com o topo da EDP, presidido por António Mexia, diz o jornal.

O Eco notícia que Isidro Fainé esteve em Lisboa, há umas semanas, para um encontro marcado com o primeiro-ministro António Costa. O objetivo maior era conseguir convencer o governo português das vantagens e virtudes de uma fusão entre as duas companhias.

Segundo o Eco, com a intervenção direta de Artur Santos Silva, Fainé encontrou-se com o primeiro-ministro e propôs que, após a fusão, a sede da EDP Renováveis, agora em Madrid, passasse para Lisboa, enquanto a sede da nova empresa fundida seria em Barcelona, e com um presidente executivo português no primeiro mandato. António Mexia vê esta operação com bons olhos, diz o Eco.

O fato de o mandato de António Mexia à frente da EDP estar a chegar ao fim e de não haver garantias de que será reconduzido pelos chineses, ajuda ao entusiasmo do presidente da EDP por esta potencial fusão.

O research do Haitong Bank comentou a notícia dizendo que uma união entre as duas empresas em questão poderia fazer sentido, uma vez que são complementares na Península Ibérica. Mas, os analistas  não acreditam que as autoridade portuguesas aceitassem facilmente tal negócio potencial, “que provavelmente enfrentará uma forte oposição política em Portugal”, refere a nota do Haitong.

“Além disso, não é claro para nós de que forma a China Three Gorges estaria disponível para trocar a sua posição na EDP por uma posição na nova companhia resultante da fusão, onde a sua influência seria menor (a menos que aumentasse a sua participação)”, diz a nota.





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