Fundação La Caixa inicia actividade em Portugal com programa social

Amanhã no Porto será assinado um acordo entre a Fundação La Caixa e a Fundação de Ciência e Tecnologia que se traduz num reforço do orçamento para projectos de investigação na área da saúde.

Cristina Bernardo

A Fundação Bancária La Caixa iniciou esta quarta feira atividade em Portugal. Numa apresentação que trouxe a Lisboa o CEO da fundação que detém a Criteria Caixa e, por essa via, o CaixaBank, Jaume Giró.

Isidro Fainé, presidente da Fundação, não esteve na apresentação, mas estará amanhã no Porto para assinar um acordo de colaboração com Portugal, numa sessão em que estará presente o primeiro-ministro ministro, António Costa, e o presidente da Fundação La Caixa em Portugal, Artur Santos Silva.

Artur Santos Silva é também membro da Comissão de Responsabilidade Social do BPI.

Na sequência da tomada do controlo do BPI, aquela que é a terceira maior fundação do mundo e a segunda maior da Europa inicia este ano a sua implementação progressiva em Portugal, “com o objetivo de contribuir para o bem-estar dos portugueses”, especialmente daqueles que se “encontram em situação de vulnerabilidade”.

A Fundação espanhola tem um orçamento para a sua ação social que se situa em 520 milhões de euros. A maior fatia do investimento, 59% do orçamento destina-se ao desenvolvimento de programas sociais, 23% à promoção da cultura e da educação e 18% à investigação e atribuição de bolsas.

Para Portugal esse orçamento é de 10 milhões de euros no mínimo, disseram os responsáveis na apresentação do programa à imprensa.  “Este ano vamos ter um investimento mínimo de 10 milhões de euros em Portugal, mas o objetivo é chegar aos 50 milhões de euros assim que possível”, disse o diretor-geral da fundação bancária La Caixa, Jaume Giró.

O plano diretor para Portugal, para 2018, contempla quatro grandes eixos: programas próprios da Fundação Bancária; lançamento de prémios destinados a apoiar projetos de entidades sociais; orçamento gerido através do BPI; e projetos especiais, como o de Dinamização das Regiões Transfronteiriças.

Assim, lançam em Portugal um programa que passa pelo apoio ao desenvolvimento de cuidados paliativos.

Artur Santos Silva referiu que a qualidade do serviço público de saúde melhorou muito, mas ainda há trabalho a fazer na área dos cuidados paliativos. Aqui o motor do programa são as equipas de atenção psicossocial, e estão previstas sete equipas em sete zonas (norte, centro, Lisboa, Alentejo, Algarve, Madeira e Açores).

Um dos projetos próprios a implementar este ano, é o lançamento do programa Incorpora.

Em 2018 para além da atenção aos doentes avançados a Fundação La Caixa lança o Programa Incorpora para dar acesso ao emprego aos que têm menos acesso a ele, como pessoas em situação de exclusão, pessoas com incapacidades, a presos, a vítimas de violência doméstica e a desempregados de longa duração, com mais de 45 anos. Para isso vão contar com apoio de organizações não governamentais (ONG). Inicialmente vão  ter três centros, um em Lisboa, um no Porto e outro em Coimbra. E contarão com 30 entidades sociais que vão colaborar com a Fundação.

O Programa faz a ponte entre as entidades sociais especializadas em inserção laboral e as empresas, identificando as necessidades de recrutamento e colocando à disposição os candidatos que mais se adequam às vagas. Prestam ainda assessoria em vantagens fiscais.

A instituição vai lançar, também, um programa para apoiar a investigação e inovação, para apoio ao empreendedorismo qualificado. Será através de bolsas que serão atribuídas a projetos de investigação, até 500 mil euros, para projectos de saúde; ou até um milhão de euros em projetos transversais, distribuído ao longo de três anos.

Jaume Giró revelou que a Fundação quer aumentar o orçamento  de apoio à investigação de 20 milhões para 90 milhões de euros, para o apoio à ciência em projetos de investigação com relação com a área da saúde.

Esta quinta feira, no Porto, será assinado um acordo por cinco anos entre a Fundação La Caixa e a Fundação de Ciência e Tecnologia que se traduz num reforço do orçamento para projectos de investigação. A  FCT contribui com o mesmo montante que a Fundação La Caixa nas bolsas que vão ser concedidas na área de ciência com translação para a saúde. Serão atribuídos até 500 mil euros pela Fundação La Caixa e outros 500 mil pela FCT para projectos na área de doenças neurodegenerativas, cardiovasculares, oncológicas e infecciosas. Aumentando assim aa capacidade de intervenção no Programa ou dando acesso a outros projectos de excelência que não estejam na lista dos 20 melhores.

Para projectos de transversais às várias doença o apoio da Fundação é de 1 milhão podendo chegar a 2 milhões com a FCT.

Os beneficiários são investigadores ou instituições investigadoras com sede em Portugal.

Outra área de intervenção da Fundação La Caixa é na cultura, através de exposições itinerantes e concertos.

Para 2019 será apoiado o combate à pobreza infantil, e à educação.

Artur Santos Silva elogiou o papel da Fundação La Caixa como investidor de longo prazo, por exemplo, nas utilities em Espanha. A Fundação tem participações na Repsol, na Gas Natural, na Telefónica, na Abertis entre outros.

(atualizada)

 

 




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