Funchal: PS-Madeira (desconfiado) apela ao combate às intrigas e tentativas de instabilidade

A Comissão Política do PS-Madeira reunida no Funchal revelou que o processo de seleção de candidatos está “praticamente concluído”. No final da reunião o líder dos socialistas Carlos Pereira reafirmou pretender que o PS - hoje a terceira força política regional depois das eleições regionais de 2015 - seja uma alternativa de que apresentará candidaturas em todos os concelhos da Madeira.

Deputado Luís Vilhena

 

Para além de uma pouco clarificadora “análise profunda das necessidades de cada concelhia”, Pereira realçou a governação autárquica do partido socialista das diferentes Câmaras locais mas não adiantou mais pormenores nomeadamente sobre a corrida eleitoral no Funchal.

Pereira apelou à mobilização do partido “contra aquilo que têm sido as intrigas e as tentativas de tornar instável o partido socialista”, sem contudo referir-se a um texto de opinião publicado por um deputado socialista na Assembleia da República num jornal local e que gerou prolongada polémica.

Uma fonte do PS confirmou ao Económico Madeira que a reunião abordou vários assuntos que não foram divulgados, nomeadamente a problemática político-partidária em torno da candidatura no Funchal de Paulo Cafofo.

Existe, segundo a mesma fonte, uma insatisfação perante declarações repetidas de Paulo Cafofo que admite a possibilidade, embora sem abertamente o assumir, de se candidatar à presidência do governo regional nas regionais de 2019, caso essa oportunidade lhe venha a ser colocada.

Por outro lado, a estratégia do líder do PS regional de antecipar o congresso regional dos socialistas não foi subscrita pelas estruturas dirigentes do partido, não tendo passado despercebida uma discreta tentativa de impedir que um eventual sucesso eleitoral de Paulo Cafofo no Funchal o catapulte para uma outra postura partidária que neste momento não tem, até porque é independente sem filiação no PS.

Um artigo demolidor

Paulo Cafofo,presidente da Câmara do Funchal

Na mesma semana em que se realizou a reunião da Comissão Política Regional dos socialistas, o deputado na Assembleia da República eleito pela Madeira, Luís Vilhena, publicou um artigo de opinião demolidor e considerado um ataque direto a Paulo Cafofo, aos seus apoiantes e à sua estratégia política.

“Não tenho em boa conta criaturas sonsas e pessoas que não se comprometem com as suas vontades. No exercício da política há lugar a simulações, hipocrisias e jogos de poder em que o bluff e outros artifícios fazem parte do combate natural para levar a bom termo um projeto político. Negar isso seria ser ingénuo ou utópico”, começa por escrever Vilhena.

O deputado socialista fala depois de limites: “Falo tão-somente dos limites da paciência de quem assiste a um jogo de rebelião cujos protagonistas apregoam ao mesmo tempo que é preciso estabilidade, da paciência que é preciso ter para sentir algumas facas espetadas nas costas e ter que sorrir ao mesmo tempo”.

“O que se desejaria, a seis meses de umas eleições autárquicas era, para bem dos candidatos e sucesso dos partidos que os apoiam, existir calma e estabilidade”, sublinha.

Depois de escrever que o líder socialista regional, Carlos Pereira “tem suportado várias facadas nas costas e também pela frente, mantendo a serenidade e um sorriso na cara em nome da estabilidade necessária para que o projecto autárquico do PS na Madeira seja um projeto de sucesso”, Vilhena reforça as críticas.

“Agora, pela terceira vez, foi ultrapassado mais um limite. Paulo Cafôfo, no congresso autárquico do PS não desmentiu o jornalista que lhe perguntou se poderia vir a ser candidato nas Regionais em 2019; numa entrevista à SIC, disse sobre o mesmo tema que não se fecham portas para esse caminho”.

Depois de denunciar movimentações internas no PS regional – indicando nomes alegadamente envolvidos no afrontamento da atual direção dos socialistas locais – o deputado da Assembleia da República insurge-se contra “uma jogada para, obviamente, Cafofo ter o apoio do PS Madeira e em 2019 ser o candidato a presidente do governo regional”.

“Por um lado, torna mais transparente e claro que Paulo Cafofo quer ser candidato em 2019 o que, para aqueles que se preparam para votar nele em Outubro próximo para continuar como presidente da Câmara do Funchal, constitui um logro. No meu ponto de vista não faz sentido votar para um presidente que deverá cumprir um mandato de 4 anos onde, na prática, se irá candidatar para um ano e meio e, mesmo assim, um ano e meio a pensar não na sua cidade, mas no cargo a que se candidatará nas regionais”, escreve o parlamentar socialista

Admitindo que Cafofo possa estar “obviamente contra a direção do partido que, à partida, o apoiará nas próximas eleições autárquicas”, Vilhena interroga-se: “Se até aqui a paciência não se tinha esgotado, que estará então à espera esta pandilha que se opõe à direção eleita em congresso, sem oposição, que até hoje não teve qualquer derrota?”.

Numa crítica direta a Paulo Cafofo – “é normal que Cafofo, ainda embriagado pela sua eleição há 4 anos, pense que apenas a ele se deve aquela vitória, almejando assim voos maiores sem sequer ter cumprido o seu primeiro desígnio” – Vilhena diz “não ser normal tudo continuar nesta indefinição fingida com notícias sonsas”.

“É por tudo isto que tinha sido melhor ter havido um congresso no PS-Madeira antes das autárquicas, clarificando posições e definindo estratégias, sem ter que se assistir a estas jogadas que só desestabilizam um partido que se prepara para umas eleições determinantes para o seu futuro próximo”, conclui o deputado que realça o facto de nem ser filiado no PS.