França pode deixar o euro, mas os bancos não deixam França, defende Le Pen

A candidata de extrema-direita à presidência de França quer marcar um referendo sobre o euro até seis meses depois das eleições e acredita que os investidores se vão manter fiéis a França.

Reuters

Os investidores não vão abandonar França, mesmo que o país abandone a moeda única. Quem o diz é Marine Le Pen, a candidata da Frente Nacional às eleições presidenciais francesas que defende a realização de um referendo sobre a permanência no euro, caso seja eleita.

Le Pen anunciou, em entrevista à Sud Radio e ao canal público de televisão Senat, que caso se torne presidente na segunda volta das eleições, a 7 de maio, irá iniciar conversações com a União Europeia.

Um referendo poderá acontecer até seis meses depois. “Ao fim desses seis meses, será o povo francês a decidir”, disse Le Pen, citada pela agência “Reuters”. O período permitirá aos franceses ter em conta os resultados das eleições na Alemanha e em Itália quando votarem se querem regressar ao franco.

Le Pen defendeu ainda que, no caso de um retorno à antiga moeda francesa, o país não verá um êxodo do investimento. “Há tanta liquidez no mundo que não vão retirar todas as ‘fichas’ de França, sobretudo quando a França voltar a estar no caminho do crescimento económico”, disse a líder de extrema-direita.

De acordo com Le Pen, as preocupações sobre o abandono do euro prendem-se com os investidores saberem “que não poderão continuar a lucrar como anteriormente”. “O mundo mudou e é isso que os preocupa. O mundo está a afastar-se do comércio livre e da política laissez faire“, continuou.

Nas últimas sondagens, Marine Le Pen e Emanuel Macron estavam à frente nas intenções de voto na primeira volta marcada para dia 23 de abril. A acontecer uma segunda volta, as sondagens indicam que Le Pen poderá ser derrotada e Macron se poderá tornar presidente.

Um dos focos da campanha da Frente Nacional tem sido a oposição à União Europeia e à moeda única, que Le Pen classifica como prisões para o país. Apesar do que as sondagens indicam, o Banco Central Europeu (BCE) já recomendou aos bancos que se preparem para o impacto de um eventual cenário de regresso ao franco.

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