França e Reino Unido acordam maior controlo comum na fronteira de Calais

A 30ª cimeira entre os dois países serviu para consolidar posições comuns, num quadro em que o Brexit vai alterar tudo, ou quase tudo. Resta saber se o resto da Europa aceita esta espécie de privilégio.

O presidente francês Emmanuel Macron e a primeira-ministra Theresa May encontraram-se hoje para mais uma cimeira bilateral entre a França e o Reino Unido, a 30ª, com a agenda centrada nos temas do terrorismo, imigração e cooperação militar. Como pano de fundo, a cimeira tinha como objetivo mais geral a consolidação dos laços bilaterais antes do Brexit.

Theresa May recebeu Emmanuel Macron depois de ter prometido que a Grã-Bretanha contribuirá com mais 44.5 milhões de libras (cerca de 50 milhões de euros) para a contenção pela França dos imigrantes que tencionam entrar ilegalmente em território britânico a partir da cidade francesa de Calais.

O governo francês fez o ‘trabalho de casa’ antes da cimeira: no início da semana, o executivo fez saber que iria diminuir a aceitação de imigrantes no seu território dado que, segundo disse, a França não tem condições para receber dignamente todos os que tentam anualmente entrar no país.

A contribuição financeira britânica vai ser investida numa maior vedação da zona de fronteira, em câmaras de vigilância e em tecnologias de deteção na área portuária da cidade de Calais. Segundo um porta-voz do governo britânico, citado por várias agências internacionais, a primeira-ministra estaria disposta a acolher um número restrito de jovens refugiados bloqueados na região de Calais.

Neste quadro, os dois países assinaram um novo acordo sobre a gestão da fronteira entre a França e a Grã-Bretanha, até agora regida pelo Acordo de Touquet, assinado em 2003.

Por outro lado, a luta contra o terrorismo e a cooperação militar foram também abordadas durante a cimeira, na perspetiva de uma ajuda logística da Grã-Bretanha à França, nomeadamente no Mali: Theresa May concorda em que a RAF (Royal Air Force) britânica apoie a França na luta anti-terrorista naquele país.

Em contrapartida a França aceitou enviar tropas para o grupo de combate britânico que efetua uma missão da NATO na Estónia, o que poderá suceder já em 2019.

A enquadrar o encontro estava a consolidação das relações bilaterais entre França e Reino Unido, num quadro em que estes se preparam para abandonar a União Europeia. Com o caminho para os Estados Unidos razoavelmente fechado pela tentação protecionista do presidente norte-americano, o Reino Unido precisa imprescindivelmente de um interlocutor privilegiado na Europa – seja qual for o rumo que o Brexit tomar.

É este papel que a França de Emmanuel Macron pretende ter – até porque isso beneficiará em muito a economia gaulesa. Resta saber como é que os parceiros franceses na União Europeia aceitarão uma situação eventual de privilégio entre França e Reino Unido.




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