Faria de Oliveira: “O que correu mal em Espanha foram as operações de banca de investimento”

Ex-CEO diz que operações sindicadas - não lideradas pelo Caixa BI - explicam 80% das perdas em Espanha.

Cristina Bernardo

Os quase 500 milhões de prejuízos da Caixa Geral de Depósitos (CGD) em Espanha, entre 2007 e 2015, foram na sua maior parte causados por operações sindicadas na banca de investimento, as quais não foram lideradas pelo Caixa BI, garantiu ao Jornal Económico o antigo presidente do grupo, Faria de Oliveira.

O banqueiro defendeu ainda que, antes da crise financeira internacional que eclodiu a partir de 2008, o mercado espanhol oferecia “grande rentabilidade”.
Os 483,7 milhões de euros em prejuízos na operação espanhola têm sido apontados como um dos fatores que explicam as necessidades de capitalização da CGD, que está a reforçar o seu capital em 3,9 mil milhões de euros.

“O que correu mal em Espanha, no âmbito do Grupo CGD, foram as operações sindicadas da banca de investimento, nunca lideradas pela Caixa BI, mas disputadas, participadas e lideradas por muitos outros bancos internacionais e espanhóis”, disse Faria de Oliveira.

“Mais de 80% destes prejuízos em Espanha resultaram de operações de banca de investimento, nomeadamente operações sindicadas com risco avaliado e partilhado com muitos outros bancos espanhóis e europeus, com um ticket médio de 6,9%”, frisou Faria de Oliveira, acrescentando que, “em boa medida”, essas perdas foram consequência da crise económica financeira que assolou Portugal e outros países do sul da Europa.

Questionado sobre se foi um dos responsáveis pela elaboração do plano de investimento de 300 milhões de euros em Espanha, como foi noticiado por vários meios de comunicação social, Faria de Oliveira desmente ter tido tal papel. “O plano foi encomendado à consultora Roland Berger – e não por mim concebido com o Dr. Carlos Costa [como foi noticiado] e posteriormente aprovado pelo conselho de administração da CGD”, disse.

“Fui convidado pelo presidente da CGD, Dr. Vitor Martins, em Junho de 2005, para presidir à comissão executiva do Banco Simeón para lhe dar execução, o que aceitei por considerar que o projeto tinha um racional consistente, uma visão estratégica que correspondia aos interesses da economia nacional e da CGD, surgia, simultaneamente, num contexto de expansão económica e financeira e de grande rentabilidade da banca em Espanha e seria exequível”, referiu.

*Notícia publicada originalmente na edição impressa d’O Jornal Económico de dia 7 de abril de 2017.



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