Faisões: Esta ilha não tem habitantes mas tem ‘guarda partilhada’ entre dois países

Sobre o rio Badiosa localiza-se a Ilha dos Faisões que durante seis meses pertence a Espanha e nos outros seis a França. E assim o é há mais de um século.

Sobre o rio Badiosa, que separa as duas cidades fronteiriças Irun e Hendaya, localiza-se a Ilha dos Faisões, um território com um estatuto peculiar e incomum. É que durante seis meses esta ilha pertence a Espanha e na outra metade do ano a França. E assim o é há mais de um século.

Relata o El País que, sem habitantes mas apta para visitas, esta ilha é vigiada pelos membros dos Comandos Navais de San Sebastián e Bayona, responsáveis pela sua jurisdição em cada turno. “[A ilha] exige pouca atenção”, avançou o comandante Rafael Prieto, que até junho passado estava encarregue da sua administração, acrescentando que “as pessoas são muito respeituosas e não fogem, apesar de, por vezes, a maré se encontrar tão baixa que se pode passar quase a andar. Costumamos vir aqui a cada cinco dias para fazer o reconhecimento visual”.

Nesta ilha, repleta de história, foi assinado, a 7 de novembro de 1659, o Tratado de Paz dos Pirinéus que findou um conflito iniciado durante a Guerra dos 30 Anos. A corte espanhola entregou aos francesas, nesta ilha fluvial, a infanta María Teresa de Austria, filha de Felipe IV, para se casar com Louis XIV, o Rei Sol.

“No Tratado dos Pirinéus, Louis VIV reclamou o rio, mas Felipe IV recusou”, explica Joan Capdevila, doutorado em Geografia pela Universidade de Barcelona e, ainda, autor de ‘La delimitación de la frontera hispanofrancesa’, acrescentando que foi “200 anos depois”, no Tratado de Bayone que França conseguiu metade do rio, cita o jornal espanhol.

Já há muito tempo que este lugar é um refúgio de paz. Contudo, em 1974 a ilha foi invadida por diversos membros da organização terrorista Euskadi TaAskatasuna (ETA), que tentavam atravessar a fronteira. Foram apanhados perto da ilha, pela Guarda Civil, o que resultou na morte um agente e de um terrorista e na prisão de Dolores González Catarain, mais conhecida por Yoyes, a primeira mulher dirigente da ETA, assassinada 12 anos depois pelos membros da organização.

 

 




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