Exportações portuguesas para Angola caíram 11% desde a chegada de João Lourenço ao poder

Nos últimos cinco meses, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma queda de 11% nas exportações, o que corresponde a menos 93 milhões de euros.

Herculano Coroado Bumba

As exportações de bens para Angola têm vindo a cair desde agosto do ano passado, altura em que João Lourenço tomou posse como presidente do país. Nos últimos cinco meses, os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) apontam para uma queda de 11% nas exportações, o que corresponde a menos 93 milhões de euros, avança o jornal “Público”.

Os dados do gabinete de estatística mostram que setembro do ano passado foi o mês em que se registou um ponto final na tendência de recuperação nas exportações, que se vinha a verificar desde novembro de 2016. Durante esse mês, registou-se uma variação homóloga negativa de 5%. Desde aí, apenas em outubro é que houve um mês positivo. Depois disso, a tendência de queda acentuou-se.

Este declínio nas exportações coincide com a chegada de João Lourenço ao poder em Angola. Durante a sua tomada de posse, o governante não mencionou Portugal como um dos seus principais parceiros, ao contrário de Espanha, com a qual Angola tem laços comerciais menos significativos. O caso veio pôr ainda mais a descoberto o clima de arrefecimento das ligações institucionais entre os dois países, o que já se vinha a verificar desde a abertura de uma investigação a Manuel Vicente, antigo vice-presidente angolano, suspeito de corrupção e branqueamento de capitais.

O economista angolano Alves da Rocha considera que “ligar o ciclo político (relações tensas com Portugal) com o ciclo das importações angolanas provenientes de Portugal pode ser um bocado arriscado”. Já João Traça, presidente da Câmara de Comércio e Indústria de Portugal acredita que “a variação que se regista nas exportações é uma consequência direta da atual crise da economia angolana”.

Os setores mais afetados por este novo arrefecimento comercial foram os produtos alimentares e as pastas celulósicas e papel.






Mais notícias
PUB
PUB
PUB