Exército árabe: o plano de Donald Trump para sair da Síria o mais cedo possível

Esta força permitiria a retirada das tropas norte-americanas da Síria e ocupar o seu lugar no terreno. Mas os países envolvidos dificilmente aceitariam um plano destes.

Kevin Lamarque/REUTERS

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pode ter em mente a criação de um exército árabe que lhe permita retirar as tropas norte-americanas da Síria o mais cedo possível, dizem os jornais do país. Um desejo que o presidente já teria expressado anteriormente, tendo mesmo ordenado a criação de um plano por parte do Pentágono.

O objetivo dessa nova força seria tanto a contribuição económica quanto o envio de tropas para manter a estabilidade no país, de acordo com o “The Wall Street Journal”. Segundo esta fonte, Trump já falou com a Arábia Saudita, Qatar, Emirados Árabes Unidos e Egipto para contribuírem na luta contra o Estado islâmico no norte da Síria, nomeadamente com o apoio através de substanciais donativos e o envio de tropas.

O presidente dos Estados Unidos revelou essa estratégia na passada sexta-feira, quando anunciou o bombardeamento das forças de Bashar al-Assad e do regime sírio. Trump expressou em mais de uma ocasião a sua crescente impaciência com o custo e a duração do esforço para estabilizar a Síria e já repetiu que as tropas do país devem regressar o mais brevemente possível.

“Pedimos aos nossos parceiros que assumam maior responsabilidade para garantir a segurança da sua região, incluindo a contribuição de grandes quantidades de dinheiro”, disse Trump, de acordo com o jornal norte-americano.

Assim, os Estados Unidos retirariam as suas tropas sem dar margem a que o Irão ou a Rússia possam apossar-se do terreno, uma questão que causa muitas reticências a Trump. Essa força árabe, necessariamente próxima do presidente dos Estados Unidos mesmo que por via indireta, assumiria a segurança regional.

A missão desta força regional seria trabalhar com combatentes curdos locais e milícias rebeldes que os Estados Unidos têm apoiado para garantir que o Estado Islâmico não reaparece e evitar que as forças apoiados pelo Irão ocupem o território deixado vago pelo seu desaparecimento.

No entanto, este plano aparenta ter várias lacunas. De acordo com Charles Lister, um membro do Instituto do Oriente Médio, citado pela revista “El Economista”, os países árabes estarão relutantes em assumirem tal contribuição económica e o envio de tropas para a Síria se os Estados Unidos não mantiverem algumas das suas próprias forças militares na região.

Por último mas não menos importante, o regime sírio dificilmente aceitaria a presença de uma força conjunta no seu território – mesmo que ela fosse maioritariamente composta por tropas de países árabes. Também a Rússia e o Irão haveriam de considerar que o plano configuraria uma ingerência estrangeira no país soberano sem o seu consentimento. Ou seja, muito dificilmente um plano assim chegará algum dia a aparecer.




Mais notícias
PUB
PUB
PUB