“Excedeu as expetativas”. Moody’s elogia performance orçamental em Portugal

A única agência de 'rating' que ainda avalia Portugal no nível de 'lixo' considera que a dívida portuguesa entrou num caminho descendente e que irá reduzir seis pontos percentuais em 2018, face a 2016.

A dois meses de avaliar o rating de Portugal, a única agência de notação financeira que mantém o país no nível de ‘lixo’ está confiante na economia nacional. A Moody’s considera que a política orçamental excedeu as expetativas nos últimos anos, em especial em 2016, e espera ver uma tendência descendente da dívida pública.

“Portugal tem tido uma história positiva de crescimento e a performance orçamental excedeu as nossas expetativas”, explicou Evan Wohlmann, vice-president e analista sénior de dívida soberana da Moody’s, no encontro anual da agência, esta quinta-feira, em Lisboa.

A Moody’s avalia atualmente o rating de Portugal no nível Ba1 (grau especulativo), com outlook positivo, o que indica que poderá fazer um upgrade na próxima avaliação, em abril.

Apesar de considerar que o elevado nível de endividamento do Estado, o peso do crédito malparado no setor bancário e o impacto do envelhecimento da população são riscos para a economia portuguesa, Wohlmann diz ter “esperança que a dívida tenha entrado num caminho descendente”, apontando para uma redução de seis pontos percentuais em 2018, face a 2016.

Além da política orçamental e do impacto do contexto global positivo, a Moody’s nota que o programa de compra de ativos da zona euro implementado pelo Banco Central Europeu (BCE) teve um papel preponderante na diminuição dos custos associados à dívida portuguesa. Segundo a agência, Portugal foi o segundo país mais beneficiado em termos de descida dos juros das obrigações benchmark, a seguir à Irlanda.

Por isso, a normalização da política monetária é um desafio para os países da zona euro. “O que acontecerá se as taxas de juro subirem?”, questionou Wohlmann, acrescentando que a agência realiza testes de stress com base no peso da dívida de cada país.

“Se as taxas de juro subirem, o impacto em termos de choques para o peso da dívida é relativamente limitado se comparado com um choque de crescimento ou orçamental, o que reflete um conjunto de fatores, incluindo a extensão das maturidades das dívidas nos países periféricos. No caso de Portugal, a maturidade aumentou de cerca de seis anos, em 2012, para cerca de oito anos atualmente”, acrescentou o vice-presidente da Moody’s.

Portugal é um dos quatro países da zona euro sobre os quais a Moody’s tem um outlook positivo (grupo em que se incluem também Grécia, Chipre e Eslováquia). Sobre o bloco, a agência referiu que vê “a recuperação económica a continuar”, apesar dos riscos políticas que perspetiva com as eleições em Itália, as negociações do Brexit, a questão da Catalunha e a falta de acordo político na Alemanha.

Para 2018, a Moody’s espera que os países da moeda única cresçam 2% e que 70% dos Estados diminuam os défices orçamentais.






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