Eurogrupo: dia D para Mário Centeno

Ministro das Finanças português tem a porta aberta para uma vitória folgada na votação de hoje do Eurogrupo. Reunião vai abordar alguns dos temas mais quentes que Centeno terá de tratar quando tomar posse: Grécia e reforma da Zona Euro.

Depois de muita especulação, a candidatura foi enviada na quinta-feira e o ministro é agora visto como favorito. Uma reunião na Costa do Marfim entre António Costa, Emmanuel Macron e Angela Merkel terá mudado as regras do jogo.
Os ministros das Finanças da Zona Euro devem hoje eleger Mário Centeno como o próximo presidente do Eurogrupo, numa reunião em que o governante português vai deparar-se já com alguns dos temas quentes que terá de tratar durante o seu mandato, que começa em janeiro de 2018.
O primeiro ponto em discussão é o programa de assistência financeira da Grécia e do novo pacote de medidas que o país terá de implementar para receber uma nova tranche do empréstimo europeu. As autoridades helénicas já chegaram a um acordo técnico com os credores para um conjunto de 100 medidas, mas os ministros terão de dar luz verde a essa pacote e avaliar o grau de cumprimento do programa.
Depois de uma discussão em torno da vigilância pós-programa de Espanha e Chipre, de um outro debate sobre a carga fiscal sobre o trabalho e de um terceiro sobre os orçamentos dos vários estados-membros para 2018 – questões que não  levantam polémica de maior – os ministros avançam para outro tema quente: a cimeira do euro prevista para dezembro e a reforma do espaço da moeda única.
Apesar de a Europa estar a atravessar um momento de recuperação económica, a crise recente e a resposta das autoridades ainda dividem as principais famílias políticas europeias. As propostas de maior integração orçamental da Zona Euro conheceram um novo impulso com a eleição de Macron em França. Emissão de dívida conjunta na Europa (as chamadas eurobonds), um orçamento comum ou um Fundo Monetário Europeu são algumas das ideias em cima da mesa.
Quanto à eleição de Centeno, é uma votação com 19 votos a meio desta extensa agenda de trabalhos. Basta uma maioria simples, pelo que Centeno deve ter o caminho garantido. Apesar de fazer parte de um Governo do Partido Socialista (PS), integrado no Partido Socialista Europeu (PES), em minoria no Eurogrupo, o ministro das Finanças de Portugal, Mário Centeno, deverá obter a maioria dos votos na eleição para a presidência do Eurogrupo.
Há uma série de circunstâncias que favorecem Centeno e apontam para uma vitória folgada. Desde logo a tendência de repartir os cargos de liderança nas instituições da União Europeia por diferentes nacionalidades e grupos políticos. Ora, na medida em que o Partido Popular Europeu (PPE) detém atualmente a maior parte desses cargos (com posições maioritárias no Conselho Europeu e no Parlamento Europeu), tornou-se mais ou menos consensual a ideia de que o novo presidente do Eurogrupo será um ministro socialista.
Não há um compromisso formal nesse sentido, mas o apoio do PPE à candidatura de Centeno parece confirmar a tendência.
O grande trunfo de Centeno é precisamente o apoio do PPE, maioritário no Eurogrupo. Conjugando os apoios do PES e do PPE, o ministro português tem a vitória praticamente garantida. No melhor cenário, poderá conquistar 15 de um total de 19 votos. Até ao momento, porém, terá apenas assegurados nove votos. Os apoios de Angela Merkel, chanceler da Alemanha, e Emmanuel Macron, presidente da França, também serão importantes.
Os outros três candidatos são a ministra letã Dana Reizniece-Ozola (do PPE), o ministro eslovaco Peter Kazimír (do PES) e o ministro luxemburguês Pierre Gramegna (do ALDE, grupo dos liberais). Gramegna deverá obter o voto do seu único colega do ALDE no Eurogrupo, o ministro esloveno Mateja Erman. Por sua vez, Reizniece-Ozola não conta com o apoio do seu próprio grupo político, devido à tendência de repartir os cargos. Enfim, Kazimír apostava em cativar o apoio do PPE, assumindo-se como um candidato mais ao centro do espectro político, mas a escolha recaiu em Centeno.
Em suma, a vitória folgada de Centeno é o cenário mais provável, salvo alguma movimentação ou surpresa de última hora. O presidente do Eurogrupo é eleito por maioria simples dos respetivos membros (que atualmente são 19) para um mandato de dois anos e meio.





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