Espião português vende perfil de dois ministros da Administração Interna à Rússia

Dias Loureiro e Duarte Sanches são dois antigos ministros da Administração Interna. E são também dois dos cinco perfis que Carvalhão Gil, espião português, terá alegadamente vendido aos serviços secretos russos. Gil Vicente Ginga, Sónia Moreira Reis e Duarte D’Orey Manoel foram os restantes, em duas folhas manuscritas que revelam os negócios e interesses dos visados.

Foi no passado dia 24 de agosto que, durante o debate instrutório do processo, se conheceram os nomes das pessoas cujos perfis terão sido alegadamente vendidos por Francisco Carvalhão Gil, um dos mais antigos operacionais do SIS, a Sergey Pozdnyakov, do Serviço Externa da Federação Russa, ou SVD, em Itália, a 21/05/2016.

Naquela que foi a primeira e única sessão instrutória do processo (a decisão sobre se haverá julgamento chegará no dia 20 de setembro), presidido pelo juiz Carlos Alexandre, o advogado de defesa de Carvalhão Gil – José Preto – mencionou as pessoas cujos nomes e perfis constam de duas folhas manuscritas, alegadamente vendidas pelo português por 10 mil euros.

Segundo adianta a revista Sábado, durante a sua intervenção, José Preto mencionou os nomes de Gil Vicente Ginga (diretor-adjunto do SIS), Sónia Moreira Reis (antiga assessora do secretário-geral do SIRP-Sistema de Informações da República Portuguesa), Duarte D’Orey Manoel (empresário), Daniel Sanches e Manuel Dias Loureiro, ambos antigos ministros da Administração Interna.

O propósito seria o de desmontar a tese do Ministério Público, alegando que o dinheiro recebido pelo português teria sido dado por “um amigo russo” e que se destinava a negócios de comércio de azeite e cavalos. José Preto adiantou ainda que as informações contidas nos documentos apreendidos são públicas: “É público que o Dr. Dias Loureiro tem contactos e iniciativas empresariais interessantes no Reino de Marrocos”, terá dito Preto, citado pela Sábado. Segundo a revista, o advogado terá ainda alegado que seria “muito estranho” que os serviços secretos russos pagassem por informações que se encontram em jornais.

Teses contraditórias
“É absolutamente grotesco imaginar que um dos serviços de informações mais eficazes da Terra tenha como pretenso informador (…) alguém que fornece informações de que o Sr. Ginja vende cavalos, (…) o conde de Seia [D’Orey Manoel] vende cavalos e o Dr. Dias Loureiro tem negócios em Marrocos”, terá dito José Preto. A Sábado afirma ter contactado Dias Loureiro, que se mostrou surpreso com a notícia. Afirmando não conhecer Carvalhão Gil, terá ainda dito: “Não faço criação de cavalos, nem tenho negócios no Norte de África.”

Apesar da argumentação de José Preto, o Ministério Público dá outra interpretação ao polémico manuscrito: “As informações vertidas sobre o documento examinado poderiam ter algum interesse para os serviços de informação russos, permitindo que, a partir de informações obtidas, fossem desenvolvidas outras pesquisas e, eventualmente, ações concretas junto das pessoas visadas, designadamente vigilância e eventuais pressões.” Para os procuradores, aqueles dados são sigilosos e as informações referentes aos ex-espiões são segredo de Estado.





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