Espanha: incerteza aumenta com aproximação do referendo na Catalunha

No dia em que se celebra o Dia Nacional da Catalunha, a agência de notação DBRS alerta para os riscos relacionados com o referendo para a independência da região. O impacto já se está a fazer sentir, com as 'yields' da dívida da Catalunha a distanciarem-se das da dívida soberana espanhola.

A Catalunha não deverá separar-se de Espanha, mas a aproximação do referendo no país está a aumentar a instabilidade, segundo uma nota da agência de notação financeira DBRS. Espanha comemora esta segunda-feira o Dia Nacional da Catalunha, a apenas três semanas da votação que poderá ditar a independência da região.

A agência canadiana prevê que Espanha mantenha a unidade a médio prazo devido à oposição do governo à independência da Catalunha, bem como os atuais laços legais e institucionais. No entanto, estima que o país vá ser penalizado pela incerteza que rodeia o referendo.

“A DBRS espera que o nível de ruído no Reino de Espanha (com rating A (baixo), perspetiva estável) aumento nas semanas que antecedem o referendo, que o governo regional da Catalunha vai realizar a 1 de outubro de 2017″, refere o comentário. “O ruído já está a ter impacto, com as yields da dívida da Catalunha no mercado secundário a distanciarem-se relativamente às da dívida soberana espanhola”, acrescenta.

A (pouco provável) separação significaria que a Catalunha teria de assumir uma dívida de 1,2 biliões de euros, mas teria impacto económico de ambos os lados. Com uma população de 7,5 milhões de pessoas, a Catalunha produz quase um quinto do produto interno bruto (PIB) de Espanha, é uma das regiões mais ricas do país e tem uma taxa de desemprego (13%) abaixo da média nacional (17%), segundo dados da Bloomberg.

“Apesar de os esforços pela independência da Catalunha não serem novos, a DBRS salienta que se têm intensificado nos últimos anos”, refere a agência. A DBRS lembra ainda que “a retórica dos partidos pró-independência reforçou-se e ganhou apoio durante a crise financeira da Espanha e particularmente desde a vitória nas eleições regionais em 2015”, mas considera que “a tendência da opinião pública poderá transitar lentamente a favor de manter a unidade do Reino de Espanha”.





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