Entusiasmo com reformas laborais alemãs é exagerado, defende economista

Em relação às medidas que Emmanuel Macron quer implementar no mercado de trabalho francês, Christian Odendahl acredita que o presidente francês poderá não ter a mesma sorte que a Alemanha teve há quase 20 anos.

As reformas no mercado de trabalho implementadas pela Alemanha desde a famosa “Agenda 2010” têm sido alvo de elogios, mas o economista Christian Odendahl, do Centre for European Reform, acredita que o entusiasmo é exagerado. As medidas voltaram a receber atenção numa altura em que toda a Europa continua a procura de uma receita para reformar o emprego.

O economista do Centre for European Reform defendeu, em entrevista à agência Bloomberg, que os efeitos positivos das reformas foram amplificadas pelo ambiente em que aconteceu. O então chanceler alemão Gerhard Schroeder facilitou, nos anos 2000, despedimentos e reduziu os benefícios dos trabalhadores.

Por outro lado, as empresas sofreram reestruturações, cortaram custos e mudaram operações para outros países como a República Checa, a Hungria ou a Polónia. As circunstâncias são agora diferentes, lembra o economista, acrescentando que “o resta da Europa, em vez de copiar estas reformas, devia aprender as nuances da experiência alemã”.

Lembrando as reformas que Emmanuel Macron quer também implementar no mercado de trabalho, Odendahl refere que o presidente francês poderá não ter a mesma sorte no país que Schroeder teve há quase 20 anos na Alemanha.

Por isso, o economista aconselha que as reformas se foquem em “reduzir os impostos sobre os rendimentos, investir nos centros de treino e de trabalho, e facilitar deslocações dos trabalhadores para os empregos”, disse à Bloomberg. “Somente quando a economia recuperar, o mercado de trabalho deve ser mais flexível”.