Energéticas mundiais apostam em startups para reagir às transformações do mercado

O projeto Free Electrons é constituído por oito utilities, desde a Austrália a Portugal, que estão à procura de startups com iniciativas inovadoras na área da eletricidade.

Encontrar startups que consigam responder às transformações do mercado, com ideias inovadoras. É este o principal objetivo de uma parceria lançada este ano entre a EDP e outras sete utilities mundiais.

A Electricity Supply Board da Irlanda, a Dubai Electricity and Water Authority, a AusNet Services e a Origin Energy, ambas australianas, a innogy SE, sediada na Alemanha, a Singapore Power e a Tokyo Electric Power Company (TEPCO) são as parceiras da EDP no projeto Free Electrons.

Segundo o diretor executivo da EDP Inovação, Luís Manuel, a iniciativa tenta responder a uma das grandes dificuldades das utilities.

“Vivemos num mundo em que todos os dias aparecem novas tecnologias, e o setor energético não é exceção. As startups têm uma característica muito interessante, elas são muito ágeis, mexem-se rápido e têm tendência a chegar primeiro às boas ideias, antes ainda das grandes corporates como a EDP”, disse ao Jornal Económico.

“Como nós [utilities] não temos tanta agilidade temos de encontrar mecanismos que nos permita interagir com estas empresas, fazer com que elas venham até nós”.

Das 450 startups que demonstraram interesse, as utilities escolheram 12 que se encontram em processo teste.

A EDP está em “discussões avançadas” para realizar projetos piloto com oito startups. Um piloto já está mesmo em funcionamento, com a Aperio, uma startup de cibersegurança focada na segurança de equipamentos numa central elétrica.

Michael Shalyt, co-fundador e CEO da Aperio, criou uma espécie de “detetor de mentiras”. O norte-americano explica que o objetivo é assegurar que a empresa em questão tem uma real imagem do que se passa com os sistemas.

“Por exemplo, numa central elétrica há uma sala de controlo com vários ecrãs onde mostram a pressão, a temperatura de uma caldeira, etc. Mas o equipamento pode estar a 100 quilómetros da sala de controlo e é preciso confiar nessa informação. Normalmente é muito difícil prever a presenã de um hacker, que tanto pode ser um hacker que se entra na China como um empreiteiro que instalou alguma coisa ma. E nós asseguramos que todas as informações que são transmitidas são as mais corretas possíveis”,referiu ao Jornal Económico.

A Aperio, juntamente com a beon (portuguesa), Climote, DataGlen, Depsys, driivz, EthosGen, Greencom, HST, Ohmconnect, Simple Energy e a Tempus são as 12 startups que estão à procura de se aliarem a uma das utilities.

A HST Solar é uma das startups que tem chamado a atenção das várias corporates. Saad Youssedi, Diretor de Desenvolvimento Corporativo explicou que é a única empresa no mundo com patente para um software que tem como objetivo analisar a melhor opção a nível de materiais. Ou seja, quando um grande cliente de centrais solares quer instalar uma grande quantidade de painéis, o programa analisa milhões de possibilidades de configuração e define qual é a opção ótima.

“Em vez de testarmos os cenários manualmente, o nosso programa faz isso automaticamente, permitindo que milhões de equipamentos, marcas, tecnologia, arquitetura, sejam analisados e sejam escolhidos idealmente para cada projeto”, explica Saad.

Até ao momento a HST trabalha apenas com instalações de grandes dimensões, e já têm clientes espalhados por todo o mundo. Saad diz que um dia a empresa quer começar a fornecer este serviço a pessoas individuais.

Outra utility presente no Free Electrons é a ESB, que procura principalmente startups que ajudem na diminuição das emissões de C02. “Já estamos a trabalhar com a Climote na Irlanda e os clientes estão muito satisfeitos, eu próprio tenho este sistema de controlo de temperatura em casa”, disse John McKiernan, chefe de colaboração externa ESB.

Neste momento o Free Electrons está em Dublin, para mais uma etapa. O processo prolonga-se até novembro, quando, em Singapura, cada utility vai anunciare quais as startups com que vai trabalhar.





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