Empreendedorismo fora dos grandes centros? Sim, é possível

Devemos ser justos e trabalhar Portugal como marca única e país por inteiro, ao invés de marginalizar certas cidades, tratando até algumas capitais de distrito como se fossem desconhecidas.

O empreendedorismo não tem nem deve ser uma tendência exclusiva às maiores cidades do país. Infelizmente, é o que se tem vindo a assumir: o público associa o empreendedorismo a Lisboa, Porto, e talvez Braga. Mas quem concebe e desenvolve as ideias que originam grandes negócios são as pessoas, não o local onde elas nasceram. O que faz o empreendedorismo são as pessoas que investem o seu tempo e dinheiro, que arriscam com uma atitude extremamente otimista, porque o seu sucesso apenas depende da sua capacidade de superação e força de vontade.

Eu acredito. Por isso trabalho para lutar contra esta tendência. Para que ela tenha cada vez menos impacto e visibilidade. Felizmente não sou caso único. Existem vários outros players que atuam no nosso mercado para minimizar cada vez mais a ‘sombra’ que as grandes cidades causam a locais que têm tanta ou mais inovação, uma capacidade de receber melhor, impactar mais e, inclusive, sediar mais atenções pela diferenciação que as próprias capitais nacionais. Devemos valorizar o empreendedorismo e as pessoas que o suportam. Devemos ser justos ao ponto de trabalhar Portugal como marca única e país por inteiro, ao invés de marginalizar certas cidades, tratando até algumas capitais de distrito como se fossem desconhecidas.

Devemos lembrar-nos da história do empreendedorismo em Portugal. Quantas empresas familiares se tornaram autênticas forças motoras da economia do nosso país? Temos um grande exemplo disso através da pessoa que é atualmente o Presidente da ANJE, mas que desempenha um papel importante seguindo a pisada familiar, liderando o Grupo A. Silva Matos, um dos maiores grupos empresariais do país. Simplesmente, hoje em dia, estas empresas cederam o seu lugar para abraçarem um novo desafio: as exportações, e assim têm posicionado Portugal como país líder mundial em vários setores.

Hoje em dia, preferimos falar de tendências com mais sex-appeal, falamos menos de produtos e mais de tecnologias – medtech, fintech, agrotech e afins. Mas aquilo que leva uma startup a tornar-se uma Google e um negócio familiar num líder do seu mercado são, em grande parte, as mesmas capacidades, e são as mesmas capacidades de sempre.

Ter conseguido que o primeiro evento do TheNetwork, em S. João da Madeira, contasse com personalidades do setor industrial e do ecossistema empreendedor, gurus nacionais e internacionais, é a prova de que se reconhece o valor das ideias nas pessoas que as concebem e não nos locais, sejam eles mais próximos ou mais distantes. São João da Madeira, pertencente ao distrito de Aveiro, tem apenas 7 km2 mas vai contar com a experiência do CEO da Trivago, com a inovação da fundadora da Hydroswarm, e com capital para investimento de Business Angels e Venture Capitalists internacionais. Este evento, direcionado para o investimento, empreendedorismo e indústria, terá lugar nos dias 26 e 27 de Setembro, e será apenas o primeiro.

O nosso objetivo, para o futuro, é escalar e dimensionar este evento a nível nacional, para criar e estreitar relações entre os órgãos públicos, centros de incubação e aceleração locais, indústria, startups, com as pessoas que os fazem crescer e evoluir, sejam eles investidores, governo, empreendedores experientes ou imprensa. A eles, aos seus negócios e, por acréscimo, às cidades onde estão sediados e onde foram criados.



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