Pouco a pouco regressam os lobbies, esquecem-se as dificuldades e rapidamente os interesses e teias ligados ao Estado se posicionam, e as reformas práticas são esquecidas.

As sociedades não são mais do que um reflexo das emoções agregadas do ser humano: ora queremos estar com alguém, ora pensamos por vezes que estamos melhor sozinhos. Eventos como o Brexit, referendos para permanecer no Euro ou até num país, como o caso da Escócia ou da Catalunha, podem ser mais complicados de gerir na prática, como aliás se tem visto. Embora estes assuntos sejam de fácil aproveitamento político, os efeitos secundários são frequentemente subestimados em termos económicos e sociais, principalmente quando lavamos em consideração o fenónomeno da globalização e a afirmação de diversos blocos económicos. Sabemos que no caso em que o referendo foi cumprido, o do Reino Unido, a incerteza aumentou e o futuro da economia é incerto no pós 2019.

A proclamação adiada da independência da Catalunha é mais uma prova de que os políticos tudo dizem e tudo omitem para ser eleitos ou manter-se no poder, aproveitando a onda do populismo. Vender a ilusão de que a Catalunha separada é um poderio económico constitui um engano. O cimento do projecto europeu baseia-se na integração e optimização com objectivos de paz, economia e bem-estar, respeitando os costumes.

Os alertas feitos contra a “espanholização” da banca portuguesa encontram um bom argumento na Catalunha, uma vez que a dependência financeira pode causar constrangimentos à evolução do país. A estratégia de diversificação dos actores no sistema bancário nacional, num ambiente de inexistência de um mercado de capitais dinâmico e de confiança, teve como consequência a passagem da propriedade dos bancos e activos a preços com desconto substancial.

A falta de coordenação entre entidades de supervisão, Governo e entidades judiciais, não protege o pequeno investidor, nem cria as bases para o investimento no mercado de capitais português, que poderia ter servido como alternativa de financiamento. Para tal era necessário que auditores, gestores, supervisores tivessem criado um sistema credível na prática e não apenas no papel.

A queda do grupo BES parecia proporcionar uma oportunidade única para que os protagonistas na sociedade portuguesa fossem alterados. Mas como muitas outras coisas nem tudo o que parece é, e pouco a pouco regressam os lobbies, esquecem-se as dificuldades e rapidamente os interesses e teias ligados ao Estado se posicionam, e as reformas práticas são esquecidas.

Será interessante verificar como o Orçamento do Estado responde à necessidade de transformação do sistema financeiro português, nomeadamente nas áreas de supervisão, de branqueamento de capitais e do cumprimento de acordos internacionais, num momento em que a economia precisa de um sistema financeiro sólido e credível. Entretanto, com ou sem emoções, a criptomoeda Bitcoin continua a subir, apoiando-se na instabilidade da Catalunha e na decisão de Vanuatu, de aceitar vistos gold em troca de Bitcoins.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.



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