Emissão de dívida a dez anos com taxa de juro de 4,3%

Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública determinou as condições da primeira emissão de dívida de 2017, que é também a primeira do género em quase um ano.

D.R.

A nova emissão de dívida pública que está a ser realizada esta quarta-feira pelo Tesouro português superou no início da manhã os 5.300 milhões de euros, com uma taxa de juro a rondar os 4,3%, de acordo com a agência Reuters. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) prevê emitir três mil milhões de euros em divida a 10 anos junto de investidores internacionais.

O Estado português apontou para uma taxa de juro entre 355 e 360 pontos base acima da referência na zona euro, que estava esta manhã perto dos 0,69%. O valor acabou por ser fixado nos 352 pontos, de acordo com a IGCP. Assim, os investidores estão a comprar obrigações do tesouro português com maturidade em abril de 2027 e vão receber uma taxa de juro perto dos 4,3%, incluindo o prémio de risco.

Só no fim das operações que envolvem bancos nacionais e internacionais – Novo Banco, BBVA, HSBC, JP Morgan, Morgan Stanley e Societé Générale – se vai saber o montante total emitido. Se se concretizar a emissão de três mil milhões de euros, significará a emissão de 20% do total de emissões de obrigações do Tesouro previstas para este ano.

A agência de gestão de dívida pública portuguesa tinha já anunciado esta terça-feira que as necessidades líquidas de financiamento do país atingirão em 2017 os 12,4 mil milhões de euros. “Um montante entre os 14 a 16 mil milhões de euros será obtido via emissão bruta de OT, combinando sindicatos e leilões, assegurando emissões mensais”, divulgou o IGCP.

“Os leilões de OT terão a participação dos Operadores Especializados de Valores do Tesouro (OEVT) e Operadores de Mercado Primário (OMP) e serão realizados à 2ª, 4ª e 5ª quartas-feiras de cada mês. O montante indicativo e as linhas de OT a reabrir serão anunciados ao mercado até 3 dias úteis antes do leilão”, revelou ainda a instituição liderada por Cristina Casalinho.

No programa de financiamento do país para 2017, o IGCP disse que o montante de empréstimos líquidos este ano inclui os 2,7 mil milhões de euros que o governo já tem destinado para capitalizar o banco estatal Caixa Geral de Depósitos este ano. Este valor inclui 2,7 mil milhões de fundos associados à recapitalização da CGD, que já se encontram financiados.

“A estratégia de financiamento para 2017 centrar-se-á na emissão de títulos de dívida pública nos mercados financeiros em euros com realização regular de emissões de Obrigações do Tesouro (OT), para promover a liquidez e um funcionamento eficiente dos mercados primário e secundário. Oportunidades para realizar operações de troca e recompras de títulos serão exploradas. Na Estratégia de Financiamento para 2017 o IGCP também antecipa uma contribuição positiva de 1,5 mil milhões de euros de produtos de retalho”, pode ler-se no site do IGCP.

Em 2017, espera-se que o financiamento líquido resultante da emissão de Bilhetes do Tesouro resulte num impacto nulo. Será mantida a estratégia de emissão ao longo de toda a curva, combinando prazos curtos com prazos longos. O IGCP manterá a realização de leilões mensais de BT na 3ª quarta-feira de cada mês e, se a procura de investidores o justificar, pode usar também a 1ª quarta-feira”, revela o comunicado.

Poderão ainda ser realizadas emissões no âmbito do programa EMTN, em função das oportunidades de mercado que se enquadrem na estratégia de financiamento, acrescenta a agência. A última emissão de dívida pública a 10 anos aconteceu há um ano e incluiu quatro mil milhões de euros em obrigação a uma taxa de juro de 2,973%.





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