Em 2030, a Índia só quer vender carros elétricos

O Governo indiano pretende que todos os carros vendidos no seu país a partir de 2030 sejam elétricos. Esta intenção será apoiada por medidas de incentivo à compra deste tipo de veículos.

REUTERS/Toby Melville

O Fórum Económico Mundial relata a intenção do Governo indiano de que, dentro de 13 anos, só sejam vendidos naquele país veículos elétricos, uma revelação que deixou os ambientalistas satisfeitos. Para o conseguir, o governo irá preparar medidas de incentivo à compra de veículos elétricos, na esperança de que o aumento de veículos de emissões zero permita reduzir os níveis de poluição ambiental que anualmente contribuem para a morte de 1,2 milhões de pessoas naquele país, segundo um estudo levado a cabo pela Greenpeace.

Além dos benefícios para a saúde e para o ambiente, outro fator importante nesta mudança de paradigma é o equilíbrio da balança comercial: a Índia é o terceiro maior importador de petróleo do mundo, o que acarreta um gasto de perto de 135 mil milhões de euros anualmente. A vontade de mudar para a energia elétrica poderá poupar ao país um total de 53,6 mil milhões de euros em importações, de acordo com os cálculos do Fórum Económico Mundial.
O ministro da Energia indiano, Piyush Goyal, anunciou que o Governo apoiará financeiramente a compra de veículos elétricos, mas que a produção destes modelos será “impulsionada pela procura e não por subsídios”.

Esta é apenas mais uma medida do Governo indiano para minimizar a poluição. Em janeiro de 2016, o executivo de Nova Deli já havia ordenado que os homens só poderiam conduzir os seus automóveis em dias alternados (as mulheres solteiras não foram afetadas por esta medida): num dia apenas poderiam circular veículos com matrículas acabadas em número par; no seguinte, apenas veículos com matrículas acabadas em número ímpar.

O Fórum Económico Mundial acredita que a mudança para uma frota automóvel elétrica terá consequências mais impactantes que as anteriores. O organismo calcula que, até 2030, a passagem para automóveis elétricos provocará uma redução de 37% nas emissões de gases poluentes naquele país.

A mudança para os veículos elétricos na Índia, tal como na China – onde o Governo quer que, até 2025, um quinto de todos os carros novos sejam elétricos – retirará à Ásia o lugar de maior região importadora de petróleo do mundo e terá um impacto de monta nos planos das empresas petrolíferas.

Estas terão de rever em baixa os seus cálculos para a procura de petróleo na região, como certamente acontecerá com a BP, que no seu mais recente relatório sobre o impacto dos veículos elétricos na procura de petróleo, a BP prevê que a frota global de veículos com motor térmico passe dos 900 milhões de carros em 2015 para 1,7 mil milhões em 2035. 90% deste crescimento deverá provir de países que não pertencem à OCDE, como a Índia e a China.

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