‘El País’: Evento no Panteão “ao estilo Harry Potter” veio mostrar que “com os mortos não se janta”

O jornal espanhol 'El País' escreve que o caso veio mostrar que "com os mortos não se janta", mas lembra que, apesar da indignação do Executivo socialista, já se tinham realizado outros jantares idênticos ainda durante o mandato de António Costa na Câmara.

A polémica gerada em torno do jantar dos convidados da Web Summit no Panteão Nacional já está a fazer eco os jornais internacionais. O espanhol ‘El País’ escreve que o caso veio mostrar que “com os mortos não se janta”, mas lembra que, apesar da indignação do Executivo socialista, já se tinham realizado outros jantares idênticos ainda durante o mandato de António Costa na Câmara.

O ‘El País’ sublinha que os convidados para a cerimónia, à luz de velas, no edifício onde estão guardados os restos mortais das figuras mais relevantes da história nacional “não são amantes da necromancia nem fazem parte do movimento de ocupação que simplesmente abriu a porta”. O jornal chama a atenção para o facto de os convidados da Web Summit terem “pago um bom dinheiro aos cofres do Estado para poderem reservar o espaço”.

Apesar de o Panteão Nacional fazer parte da lista de monumentos nacionais que podem ser alugados para cerimónias privadas, o jantar ao estilo de Harry Potter ou de uma cimeira maçónica causou estranheza e indignação entre os membros do Governo. O jornalista do ‘El País, Javier Martín del Barrio, dá conta de que o primeiro ministro terá ficado “escandalizado”, esquecendo-se que “já haviam sido organizados jantares [naquele espaço] quando ainda era presidente da Câmara de Lisboa”.

António Costa já veio a público dizer que o uso do espaço para a celebração de festas e jantares é “absolutamente indigno e ofensivo” e assegurou que vai proceder à “alteração do referido despacho, para que situações semelhantes não voltem a repetir-se, violando a história, a memória coletiva e os símbolos nacionais”.

Javier Martín del Barrio termina o artigo dizendo que esta alteração à lei vai garantir que Paddy Cosgrave, fundador da Summit Web, “não jante mais ao lado dos heróis de Portugal”, como António Costa defendeu, mas ressalva que “Amália e Eusébio também não desfrutaram de público”.





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