Economia turca chega a 2018 mais vulnerável a fatores externos

As principais vulnerabilidades da economia turca são o financiamento do défice, o aumento da dependência dos investidores mundiais, a volatilidade das taxas de câmbio e o aumento da inflação.

Segundo a mais recente avaliação de risco da Coface, especialista mundial em seguro de crédito, à economia turca, esta registou um crescimento substancial durante os três primeiros trimestres de 2017, num desempenho que superou largamente as expectativas, tendo em conta os eventos que o país testemunhou em 2016, apoiado por medidas governamentais, maiores investimentos, aumento das exportações e a recuperação do consumo privado.

Durante o terceiro trimestre de 2017, a economia turca registou um crescimento de 11.1%, relativamente ao ano anterior – o ritmo mais rápido de todas as economias do G20.

Contudo, os analistas não deixam de sublinhar as vulnerabilidades existentes, nomeadamente o financiamento do défice, o aumento da dependência dos investidores mundiais, a volatilidade das taxas de câmbio e o aumento da inflação, afirmando mesmo que a “falta estrutural de poupanças na Turquia continua a ser uma grande ameaça para a economia nacional”.

O programa governamental CGF incentivou os bancos a emprestar, levando o rácio de empréstimos sobre depósitos para 125%, durante a segunda metade de 2017. Além de afetar os riscos bancários, esta situação também acentua os desafios relacionados com as taxas de câmbio, tornando a Turquia mais vulnerável à volatilidade da moeda e diminuindo a confiança dos investidores. Estes fatores, defende a Coface, podem limitar directamente os investimentos estrangeiros nos próximos anos.

Já a questão das taxas de câmbio, prende-se com o financiamento do deficit, já que este é amplamente financiado por entradas de capital de curto prazo. Se os investimentos estrangeiros diretos, que são relativamente baixos, fossem contratados, a Turquia ficaria mais dependente do capital de curto prazo para financiar o seu défice externo. Isto aumentaria a dependência do país em relação à globalidade dos investidores financeiros e intensificaria a sua vulnerabilidade às alterações das taxas de câmbio.

Entre outros desafios potenciais, a Coface deixa o alerta para o possível aumento das taxas de juros sobre os empréstimos bancários, uma vez que isso representa um risco importante para a dinâmica do investimento no país. Os elevados níveis das taxas de juros que o país atingiu podem prejudicar a gestão do fluxo de caixa no sector empresarial e afectar negativamente o entusiasmo de novos investidores.

Quanto a previsões para este ano, e perante este contexto económico, a Coface acrescenta que a inflação deverá continuar a aumentar, devido à fragilidade da lira turca face ao dólar americano e ao euro. A depreciação da lira contra estas duas moedas desde setembro, irá, provavelmente, aumentar a inflação, tanto em termos de preços de consumidor como de produtor. Os preços elevados e o aumento dos impostos, juntamente com uma lira mais fraca, também podem afetar o consumo privado, reduzindo o poder de compra.



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