Economia da zona euro na “posição mais firme desde a crise”, diz Draghi

Presidente do Banco Central Europeu (BCE) considera que 2016 foi um ano difícil que acabou de forma positiva. Este ano, a incerteza económica foi substituída por incerteza política.

Ralph Orlowski/Reuters

O ano passado foi “difícil” para os países da zona, mas “marcado por sinais de progresso”, segundo o balanço feito pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi. No relatório anual da instituição divulgado esta segunda-feira, Draghi fala de “águas agitadas” por eventos políticos que marcaram a Europa no final de 2016 e continuarão a ter impacto nos próximos anos.

“Enquanto a incerteza económica diminuiu, a incerteza política aumentou. Fomos confrontados com uma série de eventos geopolíticos que irão influenciar o panorama das nossas políticas nos próximos anos”, pode ler-se no prefácio do relatório, assinado por Mario Draghi. “É provável que a incerteza política subsista em 2017. Não obstante, permanecemos confiantes de que a recuperação económica persistirá, apoiada pelas nossas medidas de política monetária”.

Sobre a política monetária, o líder do banco avaliou como um “sucesso” o programa de compra de ativos, que acredita ter resultado numa confiança “cada vez maior” na economia da zona euro e um afastamento dos riscos de deflação.

O BCE implementou em março de 2015, uma estratégia de política monetária não convencional baseada na compra de ativos. Acompanhado da redução das taxas de juro diretoras, o BCE estendeu o programa em 2016 à aquisição de obrigações de empresas e do lançamento de novas operações de refinanciamento de prazo alargado direcionadas. O programa, cujo fim estava marcado para março deste ano, foi ainda prolongado até dezembro de 2017.

Draghi ressalva que, a par dos benefícios, a política monetária do banco tem efeitos secundários. “Um desses aspetos e preocupações prende-se com os seus efeitos distributivos, em especial no que diz respeito à desigualdade”, explica o presidente do BCE. “Outra preocupação refere-se à rentabilidade dos bancos, das companhias de seguros e dos fundos de pensões”.

Sobre Portugal, o relatório anual do BCE refere a preocupação com empréstimos que se encontram ou estão perto de se encontrar em situação de incumprimento, em relação à carteira global de empréstimos de uma instituição.

“O rácio de créditos não produtivos é persistentemente elevado em alguns países, como, por exemplo, Chipre (47,0%), Grécia (37,0%), Itália (17,5%) e Portugal (12,7%)”, refere o relatório. De acordo com o BCE, o principal fator impulsionador da deterioração da qualidade dos ativos bancários na zona euro foi o setor empresarial, em particular os setores das PME e das propriedades comerciais.

No conjunto dos países da zona euro, o rácio de créditos não produtivos desceu para 6,7% em meados de 2016, depois do pico de 7,7% no final de 2013, como “resultado de medidas concertadas em alguns países (mais especificamente, Eslovénia, Espanha e Irlanda) e da ligeira melhoria da conjuntura macroeconómica”.