Durão sobre os refugiados: “Não podemos aceitar toda a gente que quer vir para a Europa”

A Europa, o 'Brexit' e o futuro da capital inglesa e as eleições francesas foram tópicos no discurso sobre as perspetivas de crescimento da economia mundial, do presidente da Goldman Sachs.

O ex-presidente da Comissão Europeia e atual chairman da Goldman Sachs, José Manuel Durão Barroso, esteve hoje presente em Lisboa, como convidado da cimeira do luxo, organizada pelo britânico Financial Times, para debater as perspetivas de crescimento da economia mundial.

Durão Barroso acredita que, do ponto de vista político, a Europa “está melhor”, desde o resultado das eleições à presidência francesa. No entanto, ainda existem “fragilidades e riscos” uma vez que “o populismo e o nacionalismo vão além da Europa”. “Acho que há boas condições para a Europa ganhar confiança e ultrapassar o populismo”, afirmou o chairman, citado pelo Dinheiro Vivo.

Face aos movimentos populistas e nacionalistas, bem como as suas consequências, o responsável avança que “temos de ser muito generosos com os refugiados mas não podemos aceitar toda a gente que quer vir para a Europa. Tem de se encontrar um equilíbrio”.

Para Barroso, o Brexit trata-se de uma “situação complexa” originada por um “erro” irremediável pelo qual “vamos pagar muito caro”. “A Europa demora muito tempo a tomar decisões, mas acho que líderes não vão querer que este processo seja um falhanço. Acredito que a UE vai tentar chegar a um acordo mas tem de haver regras. Abandonam o clube, não podem ficar com os mesmos direitos sem terem deveres”, enfatizou o chairman, de acordo com o mesmo jornal online.

Relativamente ao futuro da capital britânica, Durão Barroso alega que “muitas instituições vão deslocalizar uma parte dos seus serviços para várias cidades europeias, mas Londres vai continuar a ser um dos centros financeiros mais importantes do mundo”.

Barroso refere, também, o seu alívio com a derrota de Marine Le Pen nas presidenciais francesas, uma vez que, segundo a sua visão, “sem França não teríamos União Europeia” e o bloco entraria numa verdadeira “crise existencial”, relata o Dinheiro Vivo.

O ex-presidente da Comissão Europeia confia que Emmanuel Macron, atual presidente de França, “sabe bem o que tem de fazer” para estimular o crescimento económico do país francês, e que terá “50% de hipóteses de ter sucesso” na implementação do plano de reformas apresentado. Barroso afirma, também, que caso adie a implementação das medidas prometidas só vai prejudicar o presidente de França. “Não podes querer atravessar o rio e ficar a meio da ponte. Ele tem agora a sua oportunidade para fazer as coisas bem feitas”, afirmou em declarações.

Durão Barroso enaltece, ainda, Portugal, considerando-o “um grande país”. “Fundamentalmente estável, não há polarização, é seguro, apesar de ainda haver problemas. Mas em termos de qualidade de vida é um dos melhores países do mundo para viver e investir”, salienta o chairman da Goldman Sachs.ec



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