Draghi: “é demasiado cedo para declarar sucesso”

O presidente do BCE voltou a dizer que o crescimento económico na zona euro é robusto, mas que ainda não é altura para fazer alterações de política monetária.

Ralph Orlowski/Reuters

Mario Draghi diz que ainda é cedo para declarar vitória e abandonar a política de estímulos. Em declarações no parlamento holandês, o presidente do Banco Central Europeu afirmou que a compra de ativos na zona euro tem suportado a recuperação, mas ainda não esgotou a função.

“A recuperação económica evoluiu de frágil e desigual para firme e ampla”, disse Mario Draghi, citado pela Bloomberg. “No entanto, é muito cedo para declarar o sucesso”, acrescentou, numa altura em que os mercados aguardam por sinais do início gradual do fim dos estímulos à economia do zona euro.

“Os dados económicos mais recentes confirmam que a recuperação cíclica da zona euro se está a tornar cada vez mais sólida e que os riscos negativos continuam a diminuir”, continuou Draghi. Por outro lado, ressalvou que “as pressões inflacionárias subjacentes continuam a manter-se moderadas e ainda têm de mostrar uma tendência ascendente convincente”.

O presidente do BCE sinalizou ainda que os rendimentos são um componente-chave para a inflação e não têm acompanhado a recuperação económica. Draghi referiu, assim, um problema identificado pelo banco central num estudo publicado esta quarta-feira, que demonstra que a percentagem de europeus desempregados ou em situação de subemprego chega aos 18%, acima dos 9,5% que incluem apenas a população desempregada.

Segundo a instituição liderada por Draghi, o crescimento dos salários permanece moderado, apesar das melhorias registadas no mercado de trabalho, o que sugere a existência de uma ‘folga’ no mercado de trabalho relacionada com o aumento do trabalho a tempo parcial.

O discurso do presidente do BCE é consistente com o que já tinha dito no final da última reunião de política monetária do Conselho de Governadores. No final de abril, Draghi afirmou que a retoma é agora sólida e abrangente, mas que os governadores não discutiram o fim dos estímulos.

Se não forem anunciadas alterações entretanto, o programa de compra de ativos poderá continuar a ritmo mensal de 60 mil milhões de euros até ao final de dezembro de 2017, “ou até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação”.





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