Dos bancos para os certificados de aforro: a poupança dos portugueses está a mudar

Depósitos em instituições bancárias no país diminuíram pela primeira vez em três anos, revela o Banco de Portugal.

Os depósitos de particulares nos bancos em Portugal totalizavam 138,8 mil milhões de euros no final de março deste ano, o que representa uma taxa de variação anual de -0,4%. Segundo dados divulgados hoje pelo Banco de Portugal, é a primeira vez que o dinheiro aplicado em depósitos bancários recua. A explicação, diz o banco central, está na concorrência dos produtos de aforro do Estado.

“A redução dos depósitos reflete a preferência das famílias por aplicações alternativas para a poupança, nomeadamente, instrumentos de dívida pública”, indica um comunicado do BdP que frisa, contudo, que nos depósitos a menos de dois anos, que representam mais de 75% do total de depósitos de particulares, a taxa de variação crescer a dois dígitos (10,2%).

As reduzidas taxas de juro dos últimos anos têm estado a penalizar a atractividade dos produtos bancários. Segundo os dados do Banco de Portugal, o valor médio da taxa de juro dos novos depósitos para particulares, com prazo até um ano, atingiu 0,29% em março.

Em contrapartida, as taxas elevadas oferecidas pelos produtos de poupança do Estado tem captado cada vez mais fundos. Segundo os últimos dados do IGCP, o organismo público que gere a dívida do Estado, existiam em março deste ano quase 25 mil milhões de euros aplicados em certificados de aforro e do tesouro. Trata-se do valor mais elevado de que há registo nos dados do IGCP.

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