Donald Trump: “Acredito ter sido a Rússia por trás da espionagem informática”

Donald Trump deu a primeira conferência de imprensa enquanto Presidente-eleito dos EUA. Da amizade com Putin ao "desastre do Obamacare, passando por tweets alegadamente nazis e o "amor" pelos mexicanos: houve de tudo.

REUTERS / Jonathan Ernst

O presidente eleito Donald Trump começou o tão aguardado primeiro discurso agradecendo a presença de todos e elogiando o “profissionalismo” de alguns órgãos de comunicação social ao não publicar “as notícias sem sentido” que dizem que a Rússia tem informações sobre Trump.

O magnata norte-americano traçou um breve panorama sobre o período de transição e vangloriou a certeza que “muitas das indústrias vão voltar” e “fazer coisas espectaculares”.

Donald Trump prometeu ainda ser “o maior criador de empregos que Deus já criou” e que é imperativo fazer isso “pelo nosso país”. Acrescentou ainda que “nós precisaremos de uma série de outras coisas, incluindo um pouco de sorte”.

O presidente-eleito tocou em seguida num dos temas quentes: a alegada interferência da Rússia nas eleições americanas. Pela primeira vez, Trump afirmou “acredito ter sido a Rússia por trás da espionagem informática”.  Contudo, responsabiliza também a falta de segurança das agências atacadas.

Disse ainda que a fuga de informação mais polémica do dia – um documento publicado pelo BuzzFed segundo o qual Donald Trump se vê envolvido com prostitutas – “é uma vergonha, uma vergonha absoluta”, considerando que não deveriam constar do documento dos serviços secretos norte-americanos e ainda menos que a imprensa deveria ter acesso. Argumentou, ainda, que “são notícias falsas”, já “desmentidas pela Rússia, uma vez que se as tivesse já teriam sido divulgadas tal como foram divulgadas informações sobre Hillary Clinton” durante a campanha eleitoral.

Acrescentou neste sentido que avisa todas as pessoas que devem ter cuidado, pois “têm câmaras em todos os lugares” e podem “acabar à noite na televisão nacional”.

“Putin gosta de Trump? É uma mais-valia”

Sobre a relação com o Presidente russo diz que “se Putin gosta de Trump isso é uma mais-valia” realçando que “temos uma relação difícil com a Rússia”. Questionou ainda “alguém acredita que Hillary ia ser mais dura com Putin que eu? Give me a break (tenham paciência)”.

O presidente que toma posse a 20 de janeiro falou em seguida sobre o império que detém, antes de anunciar que passará a administração aos dois filhos. Negou ter quaisquer “negócios com a Rússia, na Rússia ou que poderiam acontecer com a Rússia”, para evitar conflitos de interesses. Exemplificou que este fim-de-semana recebeu uma proposta de negócios de um amigo no valor de 2 mil milhões de dólares no Dubai e que recusou para evitar esses mesmos conflitos de interesses.

Já sobre a divulgação das declarações de impostos o tom foi o utilizado durante a campanha presidencial, dizendo que “não vou divulgar as minhas declarações de impostos, estão a ser auditadas”.

O líder norte-americano eleito passou a palavra à sua advogada, que leu os comunicados sobre o plano de “muro” que existirá entre o cargo que exercerá e os negócios da família e garantiu que as receitas dos hotéis Trump com governantes estrangeiros que se desloquem aos EUA irá para as finanças públicas, de modo a evitar qualquer conflito de interesses.

Trump recuperou em seguida o microfone para elogiar os já nomeados para a administração, Rex Tillerson e Jeff Sessions, justificando que é necessário “trazer as melhores pessoas para o governo”.

Obamacare “é um desastre”

A confirmação do desmantelamento do Obamacare não ficou fora do primeiro discurso. Trump reiterou que o sistema de saúde promulgado por Obama “é um desastre” e “está a implodir”. Acrescentou também que “podíamos sentar e esperar e assistir e criticar, poderíamos ser um Chuck Schumer e eles implorariam, por favor, temos que fazer alguma coisa em relação ao Obamacare. Nós não queremos tê-lo”. Prometeu ainda que a medida será revogada e substituída “provavelmente no mesmo dia”. 

“Adoro o povo mexicano” mas…

O polémico muro entre os EUA e o México – prometido durante a campanha eleitoral – também esteve presente. Trump garantiu que os EUA “vão construir o muro” e não esperará um ano para iniciar as obras que o México pagará de “alguma forma”, estando um “reembolso” no horizonte. Ainda assim, disse “adoro o povo mexicano”, não os culpando pelo que se está a passar. “Não os culpo por tentarem aproveitar-se dos EUA”. Os políticos americanos são sim os culpados pela emigração, garantiu.

Questionado por um jornalista sobre um “tweet nazi” que publicou, disse que “é uma vergonha que as agências de inteligência permitam o acesso a informação falsa ao público” e que “é algo que a Alemanha nazi teria feito”, recusando-se posteriormente a responder às questões do jornalista da CNN alegando que a cadeia “dá notícias falsas”.

Já as empresas que produzam no estrangeiro e tencionem vender no mercado norte-americano terão que “pagar uma taxa enorme aduaneira”. Advertiu que “podem mudar do Michigan para o Tennessee, da Carolina do Sul para o Michigan. Têm muitos estados por onde escolher, eu não me importo, desde que seja nos Estados Unidos”.

Adiantou também que fará a nomeação para o Supremo Tribunal dentro de vinte dias.

Dará ainda 90 dias aos serviços secretos americanos para apresentarem um novo relatório sobre as suspeitas de espionagem informática, e ainda que volte a dizer que a Rússia pode estar por trás “também pode ter sido outro país”.

Questionado sobre se poderia dizer que a sua campanha não teve contacto com a Rússia e que mensagem deixaria a Putin, Trump disse que o presidente russo “não deveria fazer isso [interferir], ele não vai fazer isso. A Rússia terá muito mais respeito pelo nosso país quando eu o liderar do que quando outras pessoas têm liderado”. Advogou também que “temos de trabalhar, não é apenas a Rússia, 22 mil contas foram hackeadas neste país pela China. E isso porque não temos defesa”. 

Sentenciou ainda que “todos os países nos vão respeitar muito mais que nas administrações anteriores”.

Donald Trump deixou, assim, de fora o anúncio do pacote de medidas de estímulo à economia norte-americano que os investidores esperavam.

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