O presidente dos Estados Unidos da América e o líder da Coreia do Norte assinaram um acordo, em Singapura. E Trump garante que o processo de desnuclearização vai começar "muito rapidamente".

O presidente norte-americano, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, assinaram esta terça-feira um acordo, no decorrer de uma cimeira histórica entre os dois países, que decorre em Singapura. Ainda não são conhecidos detalhes do acordo.

Donald Trump afirmou que o encontro correu “melhor do que alguém poderia esperar” e disse, sobre a desnuclearização da Coreia do Norte, o principal ponto em discussão, que o “processo vai começar muito rapidamente”.

A cimeira começou pouco depois das 9h00 de terça-feira (2h00 em Lisboa), no hotel Capella, na ilha de Sentosa, em Singapura, tendo o acordo sido assinado pouco antes das 16h00 locais (7h00 em Lisboa).

Sobre o acordo, sabe-se que é constituído por três partes diferentes. Trata-se de “um importante e detalhado documento”, segundo Donald Trump, e que permitirá ao “mundo ver uma grande mudança”, de acordo com Kim Jong-un. Explicações estão prometidas para mais tarde. Para já, só elogios mútuos, com Trump a dizer que convidará Jong-un a visitar a Casa Branca e a descrever o líder norte-coreano como “um grande e talentoso homem, que ama muito o seu país”. Antes, Kim Jong-un tinha dito que os dois tinham decidido deixar o passado para trás.

A verdade é que as Coreias se encontram ainda tecnicamente em guerra, porque não houve acordo de paz. Um armistício foi assinado em 1953 e suspendeu o conflito, mas não foi assinado qualquer tratado de paz e o próprio armistício vigorou apenas até 2013, quando foi suspenso pela Coreia do Norte, como parte da retórica de guerra decorrente de seu terceiro teste nuclear.

Primeiro encontro

Esta é a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos em funções se encontra com um líder da Coreia do Norte e o caminho para se chegar ao encontro no hotel Capella, na ilha de Sentosa, em Singapura, não foi fácil, e sucede a um período de vários meses de confronte verbal e de escalada das tensões diplomáticas, aumentando os receios de um conflito armado na região. Há meio ano, Donald Trump e Kim Jong-un trocavam acusações e insultos. Trump apelidou o líder norte-coreano de “little rocket man” (pequeno homem foguete) e Jong-un havia de responder, chamando-o de “velho caquético” e “mentalmente perturbado”.

Aquilo que foi o princípio de uma grande inimizade, acabou por se tornar o início de uma “amizade incomum”. “Ele [Kim Jong-un] foi realmente muito aberto e teve, penso, uma atitude muito respeitável, depois de tudo o que vimos”, afirmou o presidente norte-americano, em abril, depois de o líder da Coreia do Norte se ter mostrado disponível para se encontrar com ele. Esta terça-feira, as primeiras palavras trocadas foram de ânimo. “Sinto-me mesmo bem. Vamos ter uma grande conversa e, penso, um sucesso tremendo. Será tremendamente bem sucedida. E é uma honra para mim. E vamos ter uma relação fantástica, não tenho dúvidas”, garantiu Trump. “Não foi fácil chegar aqui. O passado foi como penas nos nossos membros, e os preconceitos e práticas antigas foram obstáculos no nosso caminho em frente. Mas superámos todos eles, e estamos aqui hoje”, retorquiu Jong-un. Independentemente do estilo, facto é que Estados Unidos e Coreia do Norte se sentam à mesa para negociações.

Direitos humanos fora da agenda

Não se sabe se os Estados Unidos abordaram a questão dos direitos humanos e da democratização da Coreia. Questionados pelos jornalistas, Trump e Jong-un ignoraram as perguntas. Washington – depois do fracasso da chamada “primavera árabe”, ainda sob a presidência de Barack Obama – deixou de ter na sua agenda externa uma insistência excessiva sobre esta matéria, tendo optado por uma postura menos “intrusiva” em relação ao que alguns atores políticos consideram ser uma clara ingerência em assuntos internos.

Seja como for, os Estados Unidos afirmaram por diversas vezes – o secretário do Estado Mike Pompeo repetiu-o poucas horas antes do início da cimeira – que concederão à Coreia do Norte um enorme potencial de segurança. Sem especificarem o que poderá isto querer dizer, os analistas convergem na ideia de que a Casa Branca poderá patrocinar o desenvolvimento económico do país – sendo que o mais certo é que a economia de Estado continue a ser preponderante como até aqui.

De qualquer modo, Pyongyang já está a fazer alguns esforços de desenvolvimento, nomeadamente no setor do turismo, com o lançamento de vários empreendimentos, todos eles reservados para o turismo vindo do estrangeiro.

[Em atualização]






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