Dividendos: E se os rácios mais baixos forem a melhor aposta?

Em plena época de pagamento de dividendos, vale a pena considerar qual a melhor estratégia para otimizar esta fonte de retornos. Em termos de rácios, no PSI 20 imperam os CTT e a Sonae Capital.

Numa altura de taxas de juro em mínimos históricos, os investidores olham para os dividendos como uma forma de obter retornos interessantes. A prática mais comum é escolher ações consoante a dividend yield – o rácio do dividendo pago pela empresa face à cotação do título – para escolher aquelas que oferecem a maior rentabilidade.

Esse estratégia é válida para quem quer retornos a curto prazo, mas a longo prazo outro caminho pode ser mais rentável, explica a Schroders.

“Aqueles que podem esperar mais tempo podem considerar uma alternativa – investir em empresas que oferecem um potencial de subida rápida no [valor do] dividendo”, referiu David Brett, Investment Writer da Schroders, numa nota de análise.

Brett salienta que “as empresas que podem aumentar os dividendos rapidamente podem oferecer retornos melhores que os títulos com yields mas elevadas, mas os investidores têm de ter paciência”.

Para quem procura crescimento sustentável de dividendos, a Schroders tem uma dica inusitada.

“Pode ser surpreendente, mas uma das melhores fontes de crescimento de dividendos são as empresas que cortaram os dividendos. Esses cortes representam tanto dificuldades no passado como potencial no futuro”, segundo Nick Kirrage, gestor de fundos na Equity Value, citado na análise.

Os cortes “são raramente bem recebidos pelos investidores, portanto quando acontecem as cotações das ações tendem a cair de forma significativa. No entanto, a história demonstra que, com tempo, as ações recuperam e os dividendos crescem muito mais rapidamente do que o mercado espera”.

Alturas de pânico

Uma das explicações é que os cortes nos dividendos são muitas vezes feitos em alturas de pânico, durante as quais os receios podem ser exagerados, diz a Schroders, dando o exemplo da britânica Legal & General. A seguradora foi, em 2009, com a recessão, obrigada a reduzir o dividendo pago aos acionistas, levando a cotação a cair para um mínimo histórico de 0,23 libras por ação. Hoje, essa cotação negoceia perto dos 2,70 euros e a empresa aumentou o dividendo em pelo menos 15% em cada um dos últimos cinco anos.

No entanto há outra medida útil para analisar a capacidade de uma empresa pagar dividendos – o payout ratio. Este rácio representa a proporção dos lucros que uma empresa aloca para o pagamento de dividendos. Um rácio elevado pode pôr o crescimento do dividendos e até mesmo o pagamento, em risco, avisa a Schroders.

O payout ratio varia de setor para setor. A Schroders salienta que a banca costuma ter rácios baixos, especialmente durante a crise da última década. Em contraste, as energéticas costumam apresentar rácios elevados.

CTT lidera payout, Sonae Capital o yield

Em Portugal, nas cotadas do PSI 20 são os CTT com o maior rácio de payout relativo a 2016, com 144%, seguido da Sonae SGPS com 110%, segundo dados da Thomson Reuters Nos pesos-pesados do índice os rácios são os seguintes: Galp 96%, NOS 81,4%, EDP 71%, EDP Renováveis 69,5% e Jerónimo Martins 35,11%.

Em termos de dividend yields, o Caixa BI prevê que o mais atrativo no final deste ano seja o da Sonae Capital, com o dividendo pago estimado a representar 9,8% da cotação. Nos seis títulos com maior capitalização, o maior yield este ano deve ser o da EDP (6,2%), seguido da NOS (3,6%) Galp (3,4%), EDP Renováveis (0,7%), enquanto o BCP não está a pagar dividendos.



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