Portugal volta ao mercado para colocar até 1.000 milhões de dívida

Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública vai procurar angariar entre 750 milhões e mil milhões de euros em Obrigações do Tesouro a 10 anos, esta quarta-feira.

D.R.

Portugal volta esta quarta-feira ao mercado de dívida para leiloar Obrigações do Tesouro a 10 anos. A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) vai procurar angariar entre 750 milhões e mil milhões de euros, em títulos da linha com prazo de 14 de abril de 2027, numa altura mais favorável para os juros da dívida nacional.

A última colocação dessa dívida benchmark portuguesa foi num leilão a 12 de julho, quando o Tesouro vendeu 685 milhões de euros. Na altura, o IGCP pagou uma taxa de colocação de 3,085% e a procura superou em 1,52 vezes a oferta.

Nessa data também, os juros das obrigações benchmark negociavam nos 3,1%, no mercado secundário, enquanto esta terça-feira estavam próximos de 2,85%.

A barreira dos 3% não é ultrapassada desde 20 de julho e na semana passada, os juros nacionais chegaram mesmo a negociar abaixo de 2,75%, a beneficiar da ideia que o Banco Central Europeu (BCE) não irá parar de comprar dívida assim tão rapidamente.

Depois da última reunião de política monetária, Mario Draghi afirmou que a instituição continua preparada para prolongar o programa de compra de ativos, caso seja necessário. O BCE já anunciou que o debate sobre o fim desse estímulo à economia europeia começa em outubro, levando os mercados a considerar os riscos, principalmente para países como Portugal.

Na semana passada, o BCE manteve, no entanto, o discurso sobre a possibilidade de estender o programa, o que foi recebido positivamente e os juros das dívidas da zona euro começaram a descer.

“Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para aumentar o volume e/ou a duração do programa”, referiu o banco central.

O BCE deverá reduzir a compra de ativos em janeiro e tem vários cenários em cima da mesa, com diferentes nuances sobre o timing e montantes.

Segundo duas fontes próximas do banco, contactadas pela agência Reuters, uma das possibilidades será diminuir a compra de ativos para entre 20 e 40 mil milhões de euros mensais, dos atuais 60 mil milhões. A extensão deverá acontecer por seis ou nove meses, de acordo com as mesmas fontes, que pediram para não ser identificadas.





Mais notícias
PUB
PUB
PUB