Dijsselbloem e o pedido de demissão: “Reação de Portugal foi chocante”

O secretário de Estado das Finanças afirmou que Portugal vai manter o pedido de demissão do presidente do Eurogrupo, mas Dijsselbloem alegou que "a reação de Portugal também foi chocante" e que pretende continuar o seu mandato até ao fim.

Em La Valletta, Ricardo Mourinho Félix avançou à imprensa que, “no início da reunião [do Eurogrupo], o senhor Dijsselbloem fez uma breve declaração aos ministros, dizendo que lamentava o que tinha dito e que não tinha como objetivo ofender ninguém, o que me parece que reforça a ideia de que não percebeu que não é uma questão de palavras, é uma questão da própria mensagem que está subjacente a essas palavras”, noticia a Lusa.

Quando questionado sobre se o Governo português iria retirar o pedido de demissão, o secretário de Estado das Finanças afirmou que “se mantém tudo aquilo que já tinha sido dito”, principalmente por António Costa, que defendeu que Dijsselbloem “não tem a menor condição” para continuar a liderar o Eurogrupo.

Mourinho Félix acredita que as explicações se baseam no entendimento de que os países sob resgate partiram de uma “postura irresponsável”.

“Mantenho que o senhor Dijsselbloem, com uma visão da área do euro que é esta, não une os europeus e a área do euro. (…) E uma coisa que o presidente do Eurogrupo tem de fazer é unir, não dividir. E ser o líder de um projeto europeu unido”, declarou.

Contudo, Dijsselbloem afirmou, na conferência de imprensa seguida ao Eurogrupo de hoje, em Malta, não ter conhecimento de nenhum pedido de demissão por parte dos ministros: “Nenhum ministro se manifestou e confirmo que o Governo de Portugal tem a posição que tem, foi expressa pelo primeiro-ministro, pelo ministro das Finanças e por mim. Esta é a posição de Portugal. A posição dos outros países é dos outros países”, alegou, recusando-se a comentar sobre a falta de apoio dos restantes países do sul do euro.

Em resposta ao facto sobre se o pedido de demissão deveria ter sido de forma direta, Mourinho Félix esclareceu que não foi feito “diretamente”. “Acho que aquilo que foi dito pelo primeiro-ministro é muito claro”, esclareceu, acrescentando que o presidente do Eurogrupo confessou estar “profundamente chocado com a posição portuguesa”, o que significa que “sabe perfeitamente qual é a posição portuguesa”. “Disse ainda, e isso devo dizer que a mim me deixou atónito, que não ia pedir a Portugal um pedido de desculpas e acho que isso revela tudo”, continuou o secretário de Estado das Finanças.

No início da reunião do Eurogrupo, Mourinho Félix demonstrou a sua posição do Governo português a Dijsselbloem sobre as suas declarações acerca dos países do sul da Europa: “Quero dizer-lhe que foi profundamente chocante aquilo que disse dos países que estiveram sob resgate. E gostaríamos que pedisse desculpas perante os ministros e a imprensa”, disse.

Por sua vez, Dijsselbloem referiu que iria falar sobre isso, mas que “a reação de Portugal também foi chocante”. “Não lhe vou exigir um pedido de desculpas… mas vou dizer alguma coisa”, proferiu o presidente.

Após a entrevista ao jornal Frankfurter Zeitung, Dijsselbloem tem sido alvo de fortes críticas, mas afirmou, à entrada para o Eurogrupo de hoje, que não se iria demitir, mostrando-se disponível para cumprir o mandato até ao final, neste caso, até janeiro de 2018.

 

 

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