Dez dicas para começar a poupar no Ano Novo

Perder peso ou criar um pé de meia são resoluções de ano novo comuns, mas nem sempre é fácil começar. Com a dieta não podemos ajudar, mas estes foram alguns dos melhores conselhos sobre poupanças que o Jornal Económico ouviu ao longo do ano dos especialistas na matéria.

1. Faça um orçamento realista (e inclua as crianças)

Começa tudo com a organização: o primeiro passo para poupar é fazer um orçamento, segundo a coordenadora do gabinete de proteção financeira da DECO, Natália Nunes. “Há quem defenda que as poupanças devem constituir 10% do rendimento disponível, mas cada família deve encontrar um valor confortável”. E todos os elementos da família devem ser incluídos. “As crianças devem ser envolvidas”, aconselha a especialista. “O orçamento familiar é para todos os elementos e defendemos que as crianças devem gerir o seu próprio dinheiro”, na forma de semana ou mesada, da qual podem também poupar.

2. Poupança não é o que sobra

Esperar pelo fim do mês para ver o que sobra e por de lado é uma estratégia que poderá levar mais vezes a esquecimentos, derrapagens ou tentações do que a poupança efetiva. “Será possível poupar melhor se a família estabelecer um objetivo”, explicou Natália Nunes. “Não se deve esperar para ver o que sobra no fim do mês, mas sim incluir a poupança no orçamento familiar como qualquer outra despesa”. Esse valor deve ser posto de parte logo no início do mês, segundo a especialista da DECO.

3. Leia com atenção as faturas e negoceie (tudo)

Taxas escondidas, parcelas que não sabe o que significam ou serviços que não usa podem estar a encarecer as faturas que caem todos os meses na caixa de correio (física ou eletrónica). Natália Nunes aconselha os consumidores a negociaram os contratos. Os mais comuns são os da água, da luz e do gás, mas também nas telecomunicações e nos bancos. Pode levar algum tempo, mas negociar anuidades e taxas de aplicação pode reduzir as contas ao fim do mês. A especialista sublinha ainda a importância de considerar o peso das obrigações mensais. “Avalie a taxa de esforço e não deixe que ultrapasse os 35%”.

4. Tente cortar a fatura da luz

Maria Amélia de Miranda, presidente da Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, defende que pequenos passos podem fazer a diferença para começar a poupança. Desde logo em casa. Usar tomadas com interruptor on/off, aproveitar a luz natural, desligar a TV no off em vez do comando, retirar os carregadores das tomadas, manter ligados à corrente apenas eletrodomésticos em uso, aproveitar horários económicos e encher as máquinas para evitar mais que uma lavagem.“Substitua lâmpadas comuns por lâmpadas de baixo consumo (podem ser mais caras, mas a longo prazo consegue reaver dinheiro)”, lembrou.

5. Tenha atenção à água

Se a luz leva parte do rendimento das famílias, também na água e no gás é possível economizar. Fazer a manutenção das torneiras, não deixar água a correr durante o duche, enquanto se escova os dentes ou lava a loiça, usar a água fria do início do duche para regar plantas são algumas das sugestões de Maria Amélia de Miranda. “Regule a temperatura do esquentador. Manter a temperatura no máximo só vai fazer com que gaste mais gás e talvez mais água, pois a água sai demasiado quente e é necessário compensar com água fria”, explicou. “Se usar uma panela pequena num disco grande, desperdiça energia. Use grandes panelas nos grandes discos e pequenas panelas nos pequenos”.

6. Evite desperdícios

Outra parte significativa do orçamento vai para comida (e às vezes diretamente para o lixo).
Fazer uma lista de compras antes de ir ao supermercado, comparar o preço dos produtos, verificar os prazos de validade e ter atenção às promoções (incluindo cupões) poderão reduzir os desperdícios. “Faça refeições em casa. É uma das melhores dicas de poupança e é, também, mais saudável. Se tiver condições em casa, faça uma horta. Ao cultivar os legumes, frutos e vegetais, economiza bastante e come produtos frescos e saudáveis”, acrescentou a presidente da fundação.

7. Reduza juros de crédito

O custo do dinheiro caiu em poucos anos, mas muitos consumidores desconhecem e continuam com produtos com taxas acima dos 20%. Sérgio Pereira, fundador da plataforma ComparaJá, lembra que quem tem cartão de crédito pode “incorrer em custos acrescidos desnecessariamente”, acrescentando que “em alguns casos, com um simples telefonema para a instituição financeira poderão conseguir baixar as taxas para os valores atuais de mercado (TAEG ronda entre 10% a 14%)”.

8. Encolha o spread do crédito pessoal

A renegociação ou a transferência do crédito pessoal pode resultar em poupanças consideráveis. Durante o processo negocial, pode tentar diminuir o spread aplicado ao empréstimo, mas também, caso tenha havido alguma mudança na capacidade financeira, é possível ajustar o prazo de pagamento ou até pedir um diferimento de capital (pagando uma percentagem da dívida na última prestação). Não se esqueça de que, ao considerar a transferência de crédito para outra entidade bancária, existem alguns custos, como o pagamento antecipado do crédito anterior e abertura de processo na nova instituição financiadora, pelo que é crucial fazer as contas.

9. Consolide créditos para reduzir o esforço mensal

Mais que contrair novos empréstimos, muitas famílias procuram refinanciar créditos anteriores a custos mais reduzidos. Segundo o ComparaJá, aglomerar todos os créditos num só permite reduzir os encargos mensais e ainda diminuir as taxas de juro. No crédito consolidado, as taxas de juro estão entre os 11% e os 14%, enquanto alguns cartões de crédito mais antigos têm taxas de juro que chegam a estar acima dos 20%. O crédito consolidado pode ser com a hipoteca do imóvel, que ocorrem com a agregação do crédito à habitação, havendo a possibilidade de estender o prazo do financiamento para o mesmo tempo disponível do crédito à habitação.

10. Escolha o posto certo antes de abastecer o carro

Todos os meses o cenário é o mesmo. À medida que se aproxima o final do mês, os trajetos de automóvel passam a ser apenas os indispensáveis e as visitas à bomba adiadas para quando for totalmente inevitável. Mas a eleição dos postos certos permite conseguir realizar poupanças, que oscilam entre os 367 e os 540 euros anuais, de acordo com o combustível do automóvel e a região onde vive.




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