“Desintegração e degeneração”. O verdadeiro estado da União Europeia, diz Varoufakis

Apesar do crescimento da economia, a União Europeia não pode ser complacente, porque permanecem “falhas estruturais”. A perspetiva de futuro de Varoufakis para a Europa não é das melhores.

Ainda antes de Jean-Claude Juncker dar o seu discurso anual do Estado da União, em Estrasburgo, o antigo ministro das Finanças grego tomou o palco num evento em Bruxelas para dar a conhecer a sua própria visão da União Europeia (UE). Ao Politico.eu, à margem do evento, Varoufakis afirmou ser necessário apresentar o “verdadeiro” estado da UE porque a união está “num avançado estado de desintegração e degeneração”, sendo, assim, necessário ver as coisas como elas são, deixando de lado a “propaganda” que chega da Comissão. “Sem revelarmos os problemas da nossa união, não os vamos conseguir resolver”.

O ex-ministro alerta ainda para que os desequilíbrios macroeconómicos estão a piorar e dá um exemplo: “A Alemanha acredita ser rica e bem-sucedida. Mas isso só acontece porque o resto da Europa está em queda. Os fundos de pensões na Alemanha têm juros negativos”. Por isso, Varoufakis alinha pelo diapasão de Macron, que em Atenas já havia mencionado a necessidade de reformular a UE. Para o grego, será necessário mudar a estrutura interna da União para reparar as “falhas estruturais” que ainda se mantêm.

Apesar de acreditar na UE e de ser contra o Brexit, Varoufakis acredita que impedir a saída do Reino Unido da UE é “irrealista”. Ao mesmo tempo, defende que as negociações com Michel Barnier têm de acabar, porque o francês “não está mandatado para negociar o que Londres pretende”. Apesar disso, um “Hard Brexit” não é a solução. Antes, o Reino Unido deverá tentar um acordo de cinco anos como o que fez a Noruega, o que daria a ambas as partes tempo para decidir como ficariam as relações futuras entre as partes.

Para poder abrir caminho para o debate acerca de uma federação europeia, Varoufakis diz ter a solução: O European New Deal, proposto pelo seu partido. Além de redesenhar a distribuição geográfica das instituições europeias, o Banco Europeu de Investimento (BEI) deveria investir 5% do PIB europeu em títulos que seriam comprados pelo Banco Central Europeu (BCE). Esta espécie de orçamento federal permitiria dividir a dívida dos países membros em duas partes, pagando-a diretamente ao BCE com 0% de juros. Para Varoufakis, esta solução não vai contra as regras do Tratado de Maastricht nem contra as do BCE “e teria um impacto verdadeiro nas vidas das pessoas”, conclui o antigo ministro das Finanças da Grécia.





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