Desfile da polémica. Extrema-direita impedida de participar no Carnaval de São Paulo

Bloco "Porão do DOPS" foi criado por um grupo de direita em São Paulo e enaltece a atuação de Sérgio Paranhos Fleury e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusados de terem torturado pessoas durante a ditadura militar, período em que centenas também foram mortas.

A justiça brasileira suspendeu através de medida cautelar a tentativa do bloco “Porão do DOPS”, grupo de extrema-direita, de homenagear os torturadores da ditadura militar brasileira durante o desfile de Carnaval previsto para sábado, em São Paulo.

O Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS) foi um órgão que atuou durante a ditadura militar brasileira (1964-1985), em que centenas de pessoas foram torturadas, entre as quais a ex-Presidente brasileira Dilma Rousseff, nos seus famosos “porões”.

O bloco “Porão do DOPS” foi criado por um grupo de direita em São Paulo e enaltece a atuação de Sérgio Paranhos Fleury e o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusados de terem torturado pessoas durante a ditadura militar, período em que centenas também foram mortas.

O bloco – que planeava sair em desfile de rua no sábado, no primeiro dia do Carnaval – foi proibido na noite de quinta-feira por um juiz, através de medida cautelar, após um pedido do Ministério Público de São Paulo, que considerou que o grupo fazia apologia à tortura.

O magistrado também impôs uma multa diária de 50.000 reais (cerca de 12,3 mil euros) no caso de o bloco sair à rua e determinou a suspensão da divulgação do grupo nas redes sociais, o que foi acatado pelos organizadores.

O bloco está imerso num emaranhado judicial, já que uma juíza chegou a permitir o desfile do “Porão do DOPS” na semana passada, por considerar que a sua proibição seria uma “censura prévia”, mas descreveu o tema do bloco como “lamentável”.

No entanto, na quinta-feira, a decisão do juiz José Rubens Queiroz Gomes impediu o desfile do “Porão do DOPS”, um dos quase 500 blocos de rua que vão desfilar durante e depois do Carnaval em São Paulo, que ganhou força nos últimos anos.

Considerado como o “maior bloco anticomunista do mundo”, o grupo fez publicidade do seu desfile nas redes sociais com uma foto do coronel Ustra, “o maior torturador do Brasil”, como chegou a dizer Dilma Rousseff.

Ustra continua na memória e a ser reverenciado pelos membros da direita do Brasil, incluindo o deputado e possível candidato presidencial Jair Bolsonaro, que está em segundo lugar nas pesquisas da intenção de votos das presidenciais de outubro.

Em 2016, durante o julgamento de ‘impeachment’ de Dilma Rousseff, Jair Bolsonaro justificou na Câmara dos Deputados o seu voto a favor da saída da ex-Presidente elogiando a memória de Ustra e defendendo a sua atuação nas forças armadas brasileiras




Mais notícias
PUB
PUB
PUB