De vendedor ambulante a sultão da Turquia

O presidente turco nunca teve uma derrota nas urnas: ganhou por uma vez as autárquicas, por três vezes as legislativas (sempre com maioria absoluta), em 2014 venceu as presidenciais com 51,2% dos votos e em 2007 e 2010 vencedor em dois referendos. Na votação de hoje, se o “sim” ganhar, o presidente poderá continuar no cargo até 2029.

Mas a vida de Erdogan, casado com Emine Gülbaran, uma árabe turca, e com quatro filhos, nem sempre foi pacífica. Teve o primeiro problema com a Justiça depois do golpe militar de 1980. Trabalhava para o departamento de transportes de Istambul e o seu chefe pediu que ele tirasse o bigode. Erdogan recusou-se e teve de deixar o emprego.

Em 1994, tornou-se autarca de Istambul e até mesmo os principais críticos admitiram que fez uma boa administração, deixando a cidade mais limpa e mais verde.

O partido de Erdogan venceu todas as eleições desde 2002 e o político ganhou o ‘status’ de homem que trouxe a estabilidade depois de décadas de golpes de Estado e alianças frágeis. Tornou a economia mais robusta, controlou a inflação e aumentou o rendimento disponível da população.

No entanto, a revista alemã Spiegel escreveu que o poder económico e financeiro do Governo de Ancara já teve melhores dias. Citando um analista económico turco informa sobre as dívidas superiores a 240 mil milhões de dólares e que um eventual incumprimento pode provocar uma nova crise financeira na Europa. Entre os credores mais expostos estão os bancos espanhóis (87 mil milhões), os franceses e os germânicos.

Filho de um guarda-costas de Kasimpasa, foi vendedor ambulante de limões e pães na adolescência. Foi ainda jogador semi-profissional de futebol e estudou ciências empresariais antes de liderar a autarquia de Istambul, onde ganhou uma enorme popularidade.





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