De Aveiro para o Japão: tecnologia portuguesa vai chegar ao Espaço

Instituto de Telecomunicações (IT) está a desenvolver sensores eletrónicos que podem transmitir dados até um gigabyte por segundo, com energia sem fios, um dos quais ultimado para a agência de exploração espacial japonesa.

A informação foi revelada hoje pela Universidade de Aveiro, que integra um dos polos do IT, dando conta de que a agência de exploração espacial japonesa (JAXA) decidiu incorporar a tecnologia aveirense nas suas naves.

“O primeiro sistema desenvolvido, no caso um sensor de temperatura que é alimentado por energia sem fios e faz a comunicação sem precisar de pilha ou bateria, já foi testado e funciona perfeitamente”, disse à Lusa Ricardo Correia, da equipa de investigação, referindo-se ao sensor desenvolvido em parceria com a JAXA, que a agência quer utilizar para se ver livre das centenas de quilos de cabos de transmissão de dados que existem dentro das naves espaciais e economizar peso para outras cargas úteis.

Um segundo sensor que está em desenvolvimento obteve já uma taxa de transmissão de dados que chega a um ‘gigabyte’ por segundo, mas falta ainda conseguir que o mesmo seja totalmente passivo.

“Este segundo protótipo tem uma parte de recolha de energia. Ou seja, se eu transmitir uma onda para o alimentar consigo dar alguma energia, mas ainda não é capaz de alimentar todo o processamento para não precisar de bateria. O que nos falta é melhorar essa parte para conseguir transmitir dentro dos limites ‘standard’ de qualidade”, disse à Lusa Ricardo Correia.

O “segredo” dos sensores sem bateria, que nasceram para revolucionar a “Internet das Coisas”, está no aproveitamento das ondas de rádio, uma fonte de energia inesgotável, através do retro espelhamento, reservando uma frequência para transmitir dados e outra para a receção de energia, que é emitida por um transmissor, de acordo com a explicação do investigador.



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