DBRS: Bancos portugueses limpam balanços para regressar à rentabilidade

A agência de rating DBRS fez uma análise aos resultados de 2016 dos bancos portugueses e destacou os progressos feitos pelos bancos para melhorar a sua qualidade de ativos de forma a conseguir no futuro restaurar a rentabilidade.

Cristina Bernardo

A agência de rating canadiana e a única que classifica o rating português como grau de investimento diz que os bancos portugueses registaram perdas recorde no ano passado, como resultado, em grande parte, de elevadas provisões destinadas a reforçar os níveis de cobertura em determinados activos.
No entanto, a DBRS vê 2016 como o ano em que os bancos tomaram medidas para a limpeza dos seus balanços de modo a melhorar a rentabilidade futura.

Os resultados dos bancos mostraram também algumas melhorias materiais na geração de receitas recorrentes e na redução de custos operacionais na sequência da implementação de planos de reestruturação.

“O resultados dos bancos portugueses avaliados pela DBRS [Novo Banco, Montepio, BCP e CGD] são o reflexo das medidas tomadas durante o ano para restaurar a rentabilidade, e realizar uma limpeza dos balanços de forma a melhorar a qualidade dos ativos”, diz a DBRS.

“Os bancos foram afetados por elevados níveis de provisões para crédito, e registaram prejuízos em 2016, mas os números revelam algumas melhorias subjacentes, nomeadamente a sua capacidade de gerar sustentadamente receitas core num ambiente persistente de baixas taxa de juros e a capacidade de reduzir os custos operacionais, com a implementação dos planos de reestruturação”, diz a DBRS numa nota.

Apesar de alguns progressos, a DBRS considera que os bancos enfrentam desafios significativos. Ao mesmo tempo que espera que a maioria dos bancos continue a beneficiar da recuperação gradual da economia em Portugal, a prioridade deve ser o regresso aos lucros nas suas operações domésticas e executar os seus planos de redução de crédito malparado (NPLs), uma vez que os níveis de NPLs permanecem entre os maiores na comparação com os bancos europeus.

Os bancos avaliados pela DBRS reportaram um resultado líquido total atribuível de -2,7 mil milhões de euros em 2016  o que compara com 1,1 mil milhões de euros de perdas em 2015. Todos os bancos relataram prejuízos líquidos em 2016, exceto o BCP.

O nível alto de prejuízos acumulados em 2016 deveu-se a provisões extraordinárias para crédito constituídas pela CGD (elevadas imparidades), e em menor medida pelo BCP, destaca a DBRS.

Os resultados também foram afetados pela queda substancial, em termos anuais, dos resultados de operações financeiras (queda de 58% face ao período homólogo para o grupo em análise composto pelo Novo Banco, CGD, Montepio e BCP). Os resultados traduziram ganhos de capital mais baixos gerados pela venda de dívida soberana nacional e apesar da venda de participações dos bancos na Visa Europe Ltd à Visa Inc..

Os bancos beneficiaram de cerca de 200 milhões de euros de lucros nas operações internacionais, o que atenuou os fracos resultados dos bancos em Portugal.

(atualizada)

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