DBRS diz que BPI ajudou à melhoria dos resultados da banca espanhola no semestre

O BPI ajudou à subida dos lucros dos bancos espanhóis em análise pela DBRS. A banca em Espanha beneficia dos bons ventos económicos e da subida dos preços do imobiliário.

Ajudados pelo crescimento sustentado da economia espanhola, a DBRS vê a maioria dos bancos espanhóis como estando mais fortes e bem colocados para enfrentar o ambiente regulatório em evolução.

A agência de rating regista ainda o bom progresso na limpeza do balanço durante o primeiro semestre deste ano. A rentabilidade continua a melhorar para a maioria dos bancos, em grande parte ajudada por níveis significativamente mais baixos de necessidades de provisionamento. O forte crescimento das comissões também reflete o foco da gestão no aumento da diversificação da receita para compensar a pressão persistente sobre a margem financeira líquida num ambiente de baixas taxas de juros.

O BPI ajudou aos resultados do CaixaBank e o Popular inflacionou os ativos não performantes do Santander, diz a DBRS.

Os bancos espanhóis têm demonstrando a capacidade de gerar internamente capital interno (com resultados líquidos positivos) e isso deve ajudá-los a lidar com o ambiente regulatório em evolução, refere a DBRS.

No semestre, os resultados dos bancos foram principalmente impulsionados pela receita resiliente da margem financeira, apesar da pressão das baixas taxas de juros, pelo forte crescimento das comissões e menores provisões para crédito e outros ativos, refletindo parcialmente o bom ambiente económico e a melhoria do mercado imobiliário. Apesar do elevado nível de provisionamento para abranger o stock de ativos problemáticos, os maiores bancos espanhóis ainda possuem uma proporção bastante elevada de Non Performing Assets (ativos de difícil recuperação), o que incluindo créditos vencidos e ativos imobiliários por execução de créditos. A DBRS fala em desafios que os bancos espanhóis continuam a enfrentar para uma redução significativa do stock de malparado.

Os NPAs totais para o Grupo de bancos cresceram em torno de 20% no 1º semestre, mas essa subida está relacionada principalmente com a incorporação dos ativos problemáticos do Banco Popular no Santander. Segundo a DBRS, excluindo as aquisições, que somaram 1,3 mil milhões de euros de créditos malparados ao Caixabank (BPI)  e cerca de 38 mil milhões de euros de ativos problemáticos (NPAs) ao Santander, os bancos do Grupo analisado continuaram a sua trajetória de redução dos activos não rentáveis (NPAs). Na verdade, os NPAs do grupo diminuíram 9,1 mil milhões de euros no 1º semestre, em torno de 6% de redução, a mesma verificada no segundo semestre de 2016.  O BBVA foi o único banco que acelerou significativamente a redução de NPAs.

Os NPLs – Non Performing Loans (créditos malparados) do Grupo de bancos aumentaram cerca de 14% no primeiro semestre de 2017 ou 18,7 mil milhões de euros, principalmente devido à integração do Popular no Santander e do Banco BPI na Caixabank, diz o DBRS. Mas o rácio de crédito malparado sobre o total da carteira manteve-se estável em tornos dos 6% no fim de junho, semelhante ao rácio um ano antes. Excluindo estas duas integrações, o montante de malparado ( NPLs) do Grupo de bancos diminuiu cerca de 8% no 1º Semestre ou cerca de 7,9 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2017, contra 7,8 mil milhões de euros no 2º Semestre de 2016.

A análise ao grupo de maiores bancos,  durante o 1º semestre de 2017, foi influenciada por duas grandes aquisições bancárias que influenciaram os resultados: em fevereiro de 2017, o CaixaBank completou a aquisição do português Banco BPI e, em junho de 2017, o Santander adquiriu o Banco Popular Espanol (Popular) na sequência da sua resolução.

O lucro líquido atribuído nos maiores bancos em análise cresceu 21% em relação ao período homólogo do ano passado, incluindo as operações internacionais do Santander e BBVA, TSB Bank plc ( subsidiária do Reino Unido do Sabadell) e do Banco BPI (subsidiária portuguesa da CaixaBank desde fevereiro de 2017). Excluindo essas contribuições internacionais e as contribuições da Popular, os resultados líquidos desse Grupo de bancos cresceu 15% em relação ao semestre homólogo, em grande parte suportados por menores provisões para créditos e ativos problemáticos.

As provisões para perdas de crédito no mercado doméstico caíram aproximadamente 13% para o total do grupo no 1º Semestre de 2017 em relação ao mesmo período do ano passado. E absorveram 27% do lucro do grupo antes que provisões e impostos.

Os custos de litígio, que foram um obstáculo à rentabilidade no passado, foram insignificantes no primeiro semestre de 2017.

Os bancos em análise pela DBRS são o Banco Santander, o Banco Bilbao Vizcaya Argentaria, o Caixabank, o Bankia, o Banco de Sabadell, o Bankinter, o Abanca Corporación Bancaria e o Liberbank.

A DBRS considera que os bancos ainda podem beneficiar de menores custos de financiamento, se repetirem nos próximos trimestres o que fizeram no 1º semestre: a maioria dos bancos substituiu títulos de dívida antigos ao emitir novos instrumentos a um custo menor. Esta é uma tendência que a DBRS espera que vá continuar, pois espera-se que a maioria das emissões futuras de dívida dos bancos seja elegível para MREL (sistema de requisito mínimo de fundos próprios e passivos elegíveis MREL, que é aplicável a todos os bancos), ou seja uma classe de dívida sénior não preferencial, geralmente mais barata do que os instrumentos de Nível 2 (subordinadas) ou AT1 (additional tier 1). MREL são obrigações que respondem em primeira linha em caso de aplicação do instrumento de recapitalização interna, e servem para assegurar que as instituições conseguem absorver um montante adequado de perdas e serem recapitalizadas com um montante suficiente para restabelecer o rácio CET 1 para um nível que satisfaça os requisitos mínimos de fundos próprios e sustente a confiança dos mercados, sem ser necessário recorrer a um bail-out.

Os custos operacionais (incluindo custos de pessoal, outros custos administrativos e amortização) mantiveram-se sob controle na banca espanhola no semestre, refletindo uma tendência sólida dde redução de custos para suportar lucros. Alguns bancos do Grupo anunciaram planos de reforma antecipada (CaixaBank, Liberbank) e reservaram provisões adicionais durante o 2º trimestre para cobrir o custo potencial.

 



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