DBRS deverá manter rating português acima do ‘lixo’ na próxima semana

O BiG-Banco de Investimento Global analisou as variáveis de risco usadas pela agência canadiana e prevê um resultado favorável da próxima avaliação da DBRS à República no dia 21.

A agência de notação DBRS deverá manter o rating de Portugal inalterado na avaliação do próximo dia 21 de abril, segundo os cálculos do BiG – Banco de Investimento Global. Desde meados de 2012 que a agência canadiana mantém a notação portuguesa em BBB, o que tem sido fundamental para as condições de financiamento do país.

“Na próxima reavaliação da DBRS em 21 de abril, antecipamos que permaneça inalterado o rating concedido de investment grade BBB- com outlook estável”, refere o BiG, no outlook para o segundo trimestre do ano, com base numa regressão dos ratings soberanos atribuídos pela agência.

O risco mais elevado está associado às categorias de gestão; política fiscal e dívida; e liquidez. Por outro lado, o ambiente político é o segmento que traduz menos preocupação na avaliação. A análise tem por base as 10 variáveis de risco fundamentais que representam a componente objetiva da notação, bem como uma componente subjetiva como a diferença entre os valores observados e os regredidos.

Apesar do otimismo em relação à avaliação da próxima semana, o BiG alerta para riscos que poderão ter impacto nos próximos tempos. “O modelo da DBRS atribui apenas uma ponderação de 5% ao risco de um choque no cenário de sustentabilidade da dívida”.

“O atual nível de spreads da dívida Portuguesa vs Bunds (370 pontos base) mostra-se idêntico ao observado no período que antecedeu o resgate financeiro ao país em 2011″, acrescenta o outlook. “Esta situação e a perspectiva de subida das taxas de juro com o eventual tapering do BCE exacerba riscos”.

Outra questão que o BiG sublinha é a “dinâmica” da dívida pública que permanece “no mínimo, desafiante”. O banco ressalva que o rácio da dívida pública face ao Produto Interno Bruto (PIB) subiu 17 pontos base desde a eclosão da crise, enquanto o nível de encargos financeiros sobre receitas totais ultrapassa o “nível crítico” dos 10% (acima da Grécia).

A agência canadiana é a única entre as principais agências de notação mundiais a considerar a dívida portuguesa em grau de investimento, o que garante a elegibilidade dos títulos portugueses para o plano de aquisição de dívida pública do Banco Central Europeu (BCE). Portugal consegue, assim, melhores condições de financiamento junto dos investidores internacionais quando emite dívida. As outras três agências – Moody’s, S&P e Fitch, colocam a divida portuguesa no patamar de ‘lixo’.

A notação atual reflete a estabilidade de perspetivas da DBRS que significa que não prevê mudanças no rating do país nos próximos meses. Com este rating, o Tesouro português fica mais confortável relativamente à evolução da notação de risco de Portugal. Depois da avaliação da próxima semana, a seguinte será a 20 outubro.



Mais notícias